Não era um dia como os outros. Desde algum
tempo que um vazio interior ocupava demasiado espaço num local que devia estar
preenchido com sensações diferentes daquelas que sentia. Tentou em alguns dias
contrariar o estado anímico mas foram tentativas realizadas em vão. Agora
parecia que o estado de marasmo tinha passado e sentiu algo diferente a
apoderar-se do seu estado físico e psicológico. Pareceu-lhe que os assuntos que
durante tanto tempo ocuparam a alma, afinal eram de fácil resolução. Todos os
problemas parecem sempre fáceis quando se encontram as hipóteses de resposta,
pensou. Ao longo da vida existem vários estados psicológicos concomitantes no
mesmo momento. Por vezes dá a sensação que possuímos várias personalidades
dentro de nós e todas elas desenvolvem uma comunicação silenciosa umas com as
outras. Dava agora graças por sair daquele estado que designou de letargia, onde
as funções da vida foram atenuadas por forma tal, que parecem estar suspensas.
No entanto, durante a caminhada interior que lhe pareceu interminável, arrumou
muitas das suas ideias. Por característica sempre gostou de se aconselhar
consigo própria. Por vezes submetia as ideias aos outros mais próximos, apenas
àqueles em que confiava, na tentativa de comprovar ou reprovar os seus próprios
pensamentos. Normalmente, gosta e confia nas pessoas que a rodeiam. Embora não
o faça de uma maneira precipitada. Os seus ideais, ou melhor a forma como
encara a vida, foi-lhe permitindo com o avançar da idade extrair das pessoas
as características mais positivas que cada ser humano possui. Gosta de colocar
em evidência os sentimentos positivos em detrimento de outros que considera
negativos. Como pessoa astuta facilmente, capta os sinais que as pessoas emitem
sem darem por isso. Está sempre atenta ao entoar das palavras e, principalmente,
aos movimentos corporais. Não são poucas as vezes que o corpo contradiz as
belas frases que saem pela boca. Esse jogo entre as palavras e os gestos
fascina-a. Mas até quando verifica que as palavras são
vazias de conteúdo e não passavam de tentativa de ludibriar o destinatário, tenta
perceber se há hipótese de atribuir uma segunda oportunidade ao interlocutor.
Considera-se uma pessoa generosa. Desde há muito aprendeu que todos os seres
humanos possuem luz interior para iluminar os caminhos sombrios mas nem todos
conseguem colocar em auxílio próprio, essa faculdade. O extraordinário
aconteceu numa manhã de inverno, onde os raios de sol, teimavam em perturbar as
condições atmosféricas caracterizadas pelo frio. Há muito tempo que não sonhava.
Gostava muito de sonhar porque a imaginação podia soltar-se, onde as
impossibilidades podiam acontecer. Afinal, um simples sonho, permitiu que
sensações há muito recalcadas, ligadas a certos impulsos, pudessem tocar não
apenas as lembranças. É tão verdade que o sonho comanda a vida! Gostou de imaginar
que os deuses no Olimpo quisessem com o sonho dar-lhe também uma oportunidade.
Talvez presenteá-la pelo conjunto de ações ao longo da vida. O sonho
pareceu-lhe tão real que pensou tratar-se por uma fração de segundos de uma
realidade vivida. Naquele tempo que não tinha dias, nem horas, o amor vive em
toda a plenitude. Não consegue por mais que se esforce, descrever a sensação que lhe invadiu o corpo e a alma causando-lhe bem-estar. Talvez as lágrimas, com um misto de
saudade, possam traduzir as emoções do momento. Podia lá ter ficado naquele
tempo e, naquele lugar. No entanto, despertou. Os raios de sol, entraram pelas
frinchas da persiana da janela, transportando-a à realidade, onde vive. Mas o
tempo presente não muda o significado daquele instante. Ao despertar soube intimamente
que podia voltar ao sonho sempre que quisesse. Naquele tempo e, naquele espaço,
o amor vive para todo o sempre!
sábado, 7 de março de 2015
sexta-feira, 26 de dezembro de 2014
Diário de um caminhada
No
domingo, dia 1 de Novembro de 2009 juntei mais uma data à coleção, foi inserida
na pasta das datas más, onde já constava o dia 27 de Setembro de 2005. Foi de
facto esta a tal data, a que deu inicio ao declínio. Entretanto já passaram
quatro anos que lamentam o silêncio daquela noite, a ausência de comunicação no dia
seguinte e, depois quando houve palavras foram fracas na resposta que se
aguardava. Não se esquece a mágoa que deu origem a uma outra forma de encarar a
vida. Nestas frases valem as reticências e todas elas serão poucas para
expressar o sentimento da perda. Basta sentir porque o ser humano é feito de
emoções. Tal como um pintor, que expressa pela arte e pelas cores as emoções,
também os humanos pintam a vida. Às vezes pintamos a vida com tonalidades de
cor demasiado cinzentas a que juntamos a cor da lágrima. Hoje decidi ler
textos. Gosto de ler textos que falem principalmente de amor. Este texto que
escolhi para ler, está bem escrito prende-me a atenção porque alerta os
indivíduos para aquilo que se perde na individualidade de cada um, no egoísmo
quando não sabemos envolver os outros em nós.
Dia
5 de Novembro de 2009
Ontem
uma amiga ligou-me por volta das 14:40, disse-me que o pai devido a doença súbita partiu. Lamento.
Rezo. Desejo que Deus Lhe perdoe todos os pecados e o receba no seu reino.
Estas despedidas sentidas partem-me o coração. Depois da notícia fiquei com uma forte dor de cabeça e tenho as lides domésticas ainda para fazer. Tomarei um qualquer fármaco que me alivie o desconforto da dor e mais tarde receberei em casa os filhos dela. Oxalá estas crianças sejam fortes para superarem a partida do avô que tanta falta lhes faz. Efetivamente não está a ser um ano fácil para esta família. Em Agosto a minha amiga colocou um ponto final num casamento que durava há décadas. E agora o pai…
Dia
13 de Novembro de 2009
Hoje
é sexta-feira, dia 13… algumas pessoas têm a ideia que o 13 é o nº do azar e,
quando este dia, coincide com a sexta-feira, estamos perante um dia em que mais
vale ficar em casa. Para mim só estas últimas palavras traduzem bem a
“insignificância” da sexta-feira 13 – interrogo-me e, quem não tem casa, onde
fica? Esses sim, é que estão cheios de azar por não possuírem teto onde dormir
- penso.
Todos
os dias desde que acordo, faço sempre os possíveis para acreditar que o dia de
hoje será sempre melhor do que o anterior. Reafirmo a presença de Deus através
do Espírito Santo. Sou uma pessoa de Fé. Considero que há uma luta constante
entre o bem e o mal. A Palavra, o Verbo segue o caminho. O homem ainda tem
muito para aprender na escolha entre o bem e o mal. A caminhada continua...
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
Uma questão de tempo
Sentada
numa cadeira colocou as mãos entrelaçadas sobre a cabeça como quisesse com este
gesto proteger-se dos seus próprios pensamentos. Logo ela que tinha por lema:
viver a vida intensamente, como se o amanhã não existisse. Observei-a com a distância
que o olhar permite, não quis em nenhum momento perturbar-lhe o silêncio. Pela
forma como se contorcia na cadeira percebi que ela não estava nos seus melhores
dias. Conheço-a bem demais para que haja a necessidade de palavras para exprimirem
o seu estado psicológico. Entre amigas verdadeiras, até os silêncios transmitem
mensagens, para outros indecifráveis. Intimamente até sabia aquilo que a
perturbava. Talvez por isso considerei, ser mais um motivo para a deixar
percorrer aquele caminho interior que só o próprio deve trilhar. Ela sabe
intimamente se precisar de alguém ter-me-á a seu lado. Talvez mais tarde ela me
chame para revisitarmos algumas lembranças. Talvez mais tarde eu lhe recorde a
força que ela possui e que tudo aquilo que agora lhe é desconfortável, dentro
de um tempo pertencerá ao passado. Neste instante até este meu monólogo
interior parece reforçar o sentimento de amizade que nos une. Contudo ela de
tão enredada nos pensamentos, tão pouco deu por mim. Observo-a. Tem o
semblante demasiado carregado, fico triste de a ver assim. Numa ocasião confidenciou-me
que já não acreditava na felicidade, disse-me que a viveu tão intensamente num
tempo, que esgotou essa sensação de bem-estar. Retorqui e disse-lhe que a
felicidade é um estado de satisfação onde pequenas coisas podem fazer a
diferença. Contei-lhe que por vezes, ainda dou por mim a sorrir sem motivo
aparente e essa sensação é boa de sentir. Ao ouvir as minhas palavras que tentavam
contrariar um estado de espírito distante, fitou-me nos olhos e, disse-me, que
todos os sentimentos só atingem os objectivos, se forem verdadeiros. O tempo,
por exemplo, esse eterno amigo, que suaviza as mágoas, nem sempre está do nosso
lado, diga-se no tempo certo. Parece que tudo acontece realmente quando tem de acontecer
e, nem sempre as historias têm o final que se deseja. Continuou, a falar pausadamente, como se medisse todas palavras: por vezes sentimos uma sensação de vazio interior que parece ser preenchido
por emoções confusas, tipo uma manta de retalhos. Faz-se o que se pode e nem sempre o que se
deve para seguir em frente. Com o tempo aprende-se a contornar os obstáculos
embora alguns persistam em atrapalhar a caminhada. Muitas interrogações ficarão
sem resposta. O passado é muitas vezes eleito o melhor dos tempos, sem que possuamos a noção
que o presente é realmente tudo o que verdadeiramente importa. Palavras sábias, pensei...
quinta-feira, 5 de junho de 2014
Porque o céu tem a cor dos teus olhos
Podia
ter ido a uma Igreja porque gosto da tranquilidade dos Templos, mas não fui.
Segui o mesmo ritual de muitos dias dirigindo-me ao banco de jardim de onde
avisto o céu e o mar. Da minha varanda improvisada sobre o Tejo observo o azul
do céu a confundir-se com o do mar. A cor azul que tanto me recorda os
olhos da Lina. Há uns tempos atrás as notícias sobre a Lina, não foram aquelas que
gostaria de ter escutado. A Lina ontem, 4 de junho, despediu-se de nós. O
sofrimento que o cancro lhe causava já lhe feria a alma. Lamentei a sua partida
com o coração muito apertado. Hoje sinto-me triste. Não fossem as lágrimas que
ajudam a atenuar a dor sentir-me-ia muito pior. Em memória da Lina recuo até à
minha infância. A minha querida Lina, uma mulher pequena, de cabelo louro que
irei sempre recordar com muito carinho. Naqueles tempos felizes a família
Santos Borges era como me pertencesse. Gostava tanto da boa disposição daquela
gente durante os convívios. Recordo que a Lina era exímia na confeção do puré
de batata com almôndegas. Acho que durante muito tempo este foi o meu prato
favorito. Não sei se a Lina morreu feliz…uma daquelas paixões, que presumo
arrebatadora a um dos membros da família Santos Borges fez com que deixasse
para trás uma outra vida familiar onde se incluíam dois filhos. Enquanto fui
criança jamais tive perceção dessa sua escolha. Estou certa que o fez dando voz
a um grande amor… também, asseguro, que aquela peça do seu puzzle jamais foi
substituída por outra. Sentia-se a nostalgia na voz quando falava dos filhos.
Talvez falasse para acalmar a dor que trazia no coração. Talvez tenha comentado
o assunto comigo porque das crianças eu era a mais velha – lamento, não ter dado a importância devida às suas palavras mas aos dez ou
onze anos o entendimento das coisas sobre adultos era proporcional à minha
existência. A minha irmã mais nova
também recebia muitas atenções da Lina e do seu companheiro. Devido ao seu
comportamento tranquilo a minha irmã mais nova acompanhava-a muitas vezes no
seu local de trabalho. A Lina confeciona casacos de malha e por ser muito
profissional no seu oficio não lhe faltavam as encomendas. Fruto do amor da sua
vida a Lina teve outra filha, hoje uma mulher. Estas singelas palavras
destinam-se a homenagear uma a minha querida amiga pelos bons momentos que
partilhamos em conjunto. Tudo o que agora desejo é que esta guerreira descanse
eternamente em paz.
domingo, 25 de maio de 2014
Interrogações
Como
foi possível outros escrevessem sobre nós? Li as frases uma a uma e depois cada
parágrafo. Eu que pensava que aquele momento só a nós pertencia... Mas
agora até o mais ínfimo pormenor foi revelado. Quem de nós dois foi incauto e
permitiu que outros captassem a nossa magia? Estaríamos os dois tão distraídos
que perdemos a noção que uma multidão nos observava? Neste preciso momento
recordo que as palavras até foram parcas e nem sei mesmo se elas chegaram a
existir. Como foi então possível que alguém escrevesse sobre nós? Que
individualidade essa tão sensível que captou a intensidade daquele momento?
Como terá conseguido tamanha proeza? Foi através do brilho dos nossos olhos que soube as palavras que guardavamos no coração? Durante séculos só de fugida e, apenas
em momentos furtuitos voltei em pensamento ao mesmo lugar na tentativa de
vivenciar as emoções sentidas. Contínuo inquieta e com demasiadas interrogações
a pairarem na alma. Será que foi o calor que emanou dos corpos que permitiu que
outros soubessem de nós? Sempre que a dor da saudade bate mais forte, volto
sozinha ao lugar de onde não devia ter saído para contigo ficar. Mesmo quando
partiste para um lugar que desejo melhor continuei-te a sentir,
como se a tua viagem nunca tivesse ocorrido. Não podendo ter partido contigo
porque a vida continuou queria que aquele instante de magia só a nós dois
pertencesse. Por isso revi nas páginas de um livro que não fui eu nem tu que o
escreveu a imagem daquele instante que de tão nosso se perpetuou pelos tempos.
Tivesse eu escrito aquele capitulo as palavras não seriam outras mas iguais. O autor
de tão belas frases teve a arte e o engenho de se antecipar e descrever o amor
na sua essência universal. Embora eu quisesse ser egoísta para que no mundo
ninguém soubesse de nós, descobri que as emoções se transcendem e, não se
deixam aprisionar por ninguém. Também, talvez, por isso, os amores verdadeiros
sejam eternos e, vivem para além do tempo...
sábado, 24 de maio de 2014
Tem dias...
Os
dias custam a passar. Em cima da mesa da sala, as peças de um grande puzzle
desfeito, ainda não ganharam forma. Sento-me confortável numa cadeira e chego à
conclusão que a dificuldade do meu puzzle está determinada tanto pela imagem
como pelo número de peças ao meu dispor. Penso na vida. A música ecoa pela
sala, mantendo-me conectada com os meus propósitos. Murmuro para mim que ainda
tenho umas quantas contas a ajustar, ao mesmo tempo que encaixo com mestria as
peças umas nas outras. A vida assemelha-se a um grande puzzle, quanto maior os interesses e desafios, mais tempo se
leva a
atingir o objetivo. Não me arrependo das minhas atitudes, porque procuro a sensatez
antes de uma tomada de decisão, no entanto, admito que tenho alguns pedidos de
desculpa a dar e, outros tantos a receber. Mas, essencialmente, só me preocupam
aqueles pedidos que tenho que fazer, assuntos alheios não me dizem respeito. Todos
os dias dou passos em frente para que a minha consciência se liberte das insignificâncias
da vida. Como habitualmente encontrarei o tempo e o lugar para clarificar
pensamentos. Se os minutos não demorassem tanto a passar, possivelmente, hoje seria
o dia para arrumar uns quantos assuntos... Mas, não tendo chegado o tempo certo,
continuarei, aguardar, com atenção, a sequência e formato das peças do puzzle da
vida que se repetem.
quinta-feira, 1 de maio de 2014
Conversando...comigo...
sábado, 1 de março de 2014
Infinita Saudade
Completamente
incrédula! Sim, incrédula é a única expressão que me ocorre para descrever o
estado de alma naquele dia! Li uma, duas, três vezes a mensagem na esperança
que as lágrimas que se soltavam dos olhos tivessem deturpado as palavras. Mas
afinal o que se considerava impossível aconteceu, entristecendo-te, enlutando a
tua família, causando dor a todas as pessoas que vos querem bem. Nem sei bem se
conseguirei traduzir por palavras a convulsão de emoções que se apoderam
então de mim. É em silêncio que recordo o início da nossa amizade. Noutras
paragens há quase uma década quando, tu, eu e a Margarida nos tornamos irmãs de
coração. A partir do momento que nos conhecemos tudo o que acontece a uma afeta
as restantes. Depois de tantas batalhas que vencemos confidencio-te que não
estava preparada para receber esta notícia. Possivelmente por acreditar que
depois de momentos de grande perda haverá outros que de alguma forma
compensarão as provações. Até porque desta vez a tua viagem estava no fim… Amiga queria tanto encontrar palavras de conforto que de alguma forma
pudessem aliviar o teu/vosso sofrimento… e, não me ocorre mais dizer que nas
portas do Céu, haverá outros anjinhos prontos a receber aqueles que agora
chegam… quero acreditar, que entre eles, estará a minha Raquel de mão dada com
o irmão Miguel a chamar pela tua Júlia. Sempre depositei esperanças na minha
menina do céu, imagino-a muito ciente das responsabilidades de cuidadora. Se
assim, não fosse, porque haveria ela de partir? Sabes este pensamento
conforta-me desde há muito. Considero os filhos como extensão do nosso amor e,
como tal, sinto-me duplamente abençoada. Projeto nos meus dois anjinhos
celestes a imagem dos dois irmãos da
Terra, acho que a par das feições as suas essências devem ser semelhantes. Há
uns anos eu que até não sou nada hábil com trabalhos manuais decidi recortar
numas cartolinas quatro estrelas, duas cor-de-rosa, duas azuis e em cada uma
delas colei fotografias dos meus bebés. Como não conheci o rosto de dois deles,
decidi colar dois anjinhos desenhados. Depois de unir as quatro
estrelinhas, surpreendeu-me o resultado
final! É no mês de dezembro que a Arvore de Natal ganha uma decoração especial!
No alto da árvore, no sítio com mais destaque é colocada a minha constelação,
uma estrela por cada filho! Querida
amiga se eu pudesse enxugar as tuas lágrimas, eu o faria. Se eu pudesse
substituir-te na dor, eu o faria! Estarei sempre contigo!
domingo, 16 de fevereiro de 2014
Até ao fim do mundo...
Não hesitaria um minuto em seguir os teus passos. Como não poderia de resto faze-lo? Em tantos dias num silêncio que por vezes me pareceu ensurdecedor ansiei por um amor como o nosso. Decerto só poderia dar valor ao presente se no passado tivesse conhecido de perto o sofrimento. E, se assim foi, fico feliz por todas as lágrimas que derramei e por todos os desencontros que tive para chegar até aqui. Pouco me importam os terrenos que desbravei ou, mesmo os obstáculos que encontrei pelo caminho. O que importa é que cheguei onde sempre quis estar e quero guardar para sempre todos os segundos junto de ti. Sinto o coração apertado só de pensar que o nosso amor um dia possa acabar… seguir-te-ia para onde quer que fosses. Mesmo que me digas que não tens para onde ir… digo-te que podemos ir juntos até ao fim do mundo. Os meus dias só fazem sentido se estiveres a meu lado. Não imagino sequer acordar pela manhã e ao abrir os olhos não encontrar o teu rosto. Ficas a saber que às vezes quando o sono teima em chegar Agradeço em silêncio por estares comigo. São tantas as pequenas coisas onde te encontro que nunca mais me senti só. Não quero lamentar pelos anos que deixamos passar, privando os sentimentos, castigando as emoções de viverem um amor como o nosso. Aprendi que tudo tem uma hora para acontecer. A soma dos dias são aprendizagens e tudo acontece quando tem mesmo de acontecer. Quero acreditar que nada perdemos, antes pelo contrário a vida encarregou-se de mostrar o real significado da palavra valor. Pelos dias de ausência, pelos silêncios de outrora quero que os nossos dias sejam todos eles preenchidos com palavras e afectos. Vem, Amor, abraça-me forte… mostra-me o teu calor que eu desejo entregar-me nos teus braços de corpo e com alma.
sábado, 8 de fevereiro de 2014
Professor Manuel Lima
Dia
8 de fevereiro de 2014 foi um sábado deliciosamente diferente. Sabia-o
antecipadamente desde que retirei da minha caixa de correio o convite do
professor Manuel Lima alusivo à comemoração dos seus 25 anos como escritor e
investigador do riquíssimo património natural do concelho do Seixal.
Simultaneamente, ele presenteou todos os participantes com o seu mais recente
livro intitulado "A Vida Entre Marés". Foi pequeno o auditório no
Moinho de Maré de Corroios para acolher todos aqueles que desejaram expressar
gratidão, admiração a este grande professor, investigador e, principalmente ao
ser humano que é! É com aquela facilidade de retórica que se conhecessem aos
grandes mestres que o professor Lima prendeu a atenção de toda uma plateia
rendida aos seus conhecimentos. Seguramente que nunca lho disse pessoalmente
mas escrevo-o agora o Professor Manuel Lima é um ser humano extraordinário!
Consegue sem esforço aliar a sua inteligência com as características mais
nobres de uma pessoa: modéstia, simplicidade e amor. Comoveram-me as palavras
da sua filha Sílvia durante o discurso quando a ele se referiu dizendo «o meu pai
faz tudo por amor». Outras histórias que a filha Sílvia compartilhou com todos
os presentes espelham bem a entrega e a dedicação das muitas horas de trabalho
em prol da investigação do património natural e ambiental da Península de
Setúbal. O professor Manuel Lima meio a brincar dizia-se surpreendido pela sala
onde decorreria a comemoração dos 25 anos estar cheia. Esta manifestação de
reconhecimento em nada me surpreendeu, muitos, tal como eu, quiseram desta
forma homenageá-lo pelo mérito do seu trabalho. O professor Manuel Lima fez
carreira como docente do ensino oficial secundário. Paralelamente em
colaboração com a Câmara Municipal do Seixal fez chegar junto do grande público
várias publicações sobre o património natural e histórico deste concelho. Não
me lembro ao certo como travei contacto com o professor Lima. Creio que tal
inicio se fique a dever a uma simples troca de cumprimento matinal ou de outro
período do dia. No entanto com certas pessoas é muito fácil estabelecer
automaticamente uma relação afetuosa e foi isso que aconteceu. Todos nós em
minha casa nutrimos um carinho especial por ele e pela sua família. Já faz
alguns uns anos quando convidou a mim e aos meus filhos para conhecermos a sua
coleção privada de fósseis e com a mestria de um professor foi-nos explicando a
origem e o nome de cada vestígio do passado. Não saímos da sua casa sem que
antes ele tivesse presenteado a minha filha adolescente com alguns dos fosseis
sobrantes da sua vasta coleção. Os fósseis foram guardados cuidadosamente até
hoje numa caixa de madeira de modo a preservar a integridade do achado. Noutra
ocasião chamou-me para me oferecer um pequeno Dragoeiro. Depois de este ter
passado uma temporada num vaso foi transplantado com sucesso para um canteiro
definitivo onde presentemente ostenta um porte maior em altura. Com certeza que haveriam outras pequenas histórias dignas de registo destes seis anos que levo de convívio com este grande homem, contudo, prefiro terminar o texto com o sincero desejo que o professor Lima continue a presentear todos com mais livros os quais considero autênticas ferramentas pedagógicas para quem deseja aprofundar os conhecimentos sobre o vastíssimo património natural que nos rodeia.
sábado, 25 de janeiro de 2014
Amor incondicional
Para alguém muito especial…
Confesso
que tenho tanto medo de te perder... Já alguns dias que olho o teu rosto e
comento com outros o quanto envelheceste. O pior é que me habituei a uma imagem
e durante anos fui recusando ver os traços no teu rosto cada vez mais
profundos. Sabes às vezes isto acontece para nos defendermos da dor da
inevitabilidade… a bondade, a melhor característica que te define, continua
inalterável ao longo dos tempos. Por tudo isto que acabei de escrever e por
muito mais, considero que as pessoas como tu deviam viver para sempre. Nem
tenho a certeza se irás ler este texto, mas isso pouco importa, acho que até me
protege devido à minha inabilidade em lidar com algumas emoções. Ainda, para
mais palavras como estas, sentidas, carregadas de sentimentos de amor
incondicional. Já me perguntava quando iria escrever um texto sobre ti…e, como
sempre, tudo acontece, quando tem de acontecer. Definitivamente hoje era o dia…
confidencio que esta manhã (bem cedo, para uma manhã de sábado) o meu
filho mais novo decidiu ver um filme infantil em vídeo que retratava muito dos
sentimentos que sinto por ti. Imagina tu que até o personagem “Vítor” tinha
semelhanças físicas contigo. Mas foram as outras características, aquelas que
não se veem, mas que se sentem, que despoletaram a minha vontade de te
agradecer por teres estado connosco quando eras necessário. Tenho cada vez mais
a certeza que os maiores tesouros da vida não são aqueles que o dinheiro pode
oferecer, mas a riqueza de amar e sermos amados! Poderia continuar alongar-me
nos elogios porque numa pessoa como tu, é bastante fácil, prefiro, no entanto, finalizar
a dedicatória, desejando que continues na nossa vida por muitos e muitos anos!
domingo, 19 de janeiro de 2014
Almoço de domingo
Na
minha infância a manhã de domingo tinha um toque de magia. Gostava que os dias
da semana corressem para chegar ao fim-de-semana. Lembro-me de fazer planos
logo no primeiro dia da semana para que todo o tempo de sábado e domingo fossem
bem aproveitados pelas brincadeiras. Quando não tinha companhia para as
brincadeiras entretinha-me com qualquer coisa... às vezes, até
as molas da roupa ganhavam vida e adquiriam
formas de pessoas. Em cima da minha cama de dormir os cobertores eram cuidadosamente
moldados com aquilo que eu chamava de carreiros para que as pernas das molas da roupa pudessem
passar. E, podia ficar assim, a brincar sozinha, dando asas à imaginação, sem ter
a noção das horas a passarem. Mas era sem dúvida o almoço de domingo o que mais me
fascinava! Todo aquele ritual que antecedia a hora da refeição. Cada membro da família
contribuía para o almoço de domingo com uma determinada tarefa, embora coubesse
sempre à mãe a preparação da refeição. Ao domingo a mãe sem ter aquela pressa dos
minutos contados da semana, confecionava quase sempre uma iguaria mais elaborada.
A magia de uma manhã de domingo aumentava se houvessem convidados para o almoço.
Desde que houvesse um significativo número de convidados, o prato escolhido
para confecionar, era quase sempre mesmo: o tradicional, cozido à portuguesa! Nem
sempre esta escolha agradava ao palato de todas as idades. Eu, a minha irmã e,
os primos, quase sempre reclamávamos por um bife com batatas fritas, sem que a iniciativa tivesse muito
sucesso. Havia sempre um adulto que nos informava se não “gostássemos” de comer
por exemplo a “carne de porco” podíamos comer a carne de vaca ou mesmo o frango
cozido que normalmente nos era colocado no prato carinhosamente pelas nossas mães. O
ritual da confeção da refeição na cozinha também era agradável de se observar. As
cozinheiras iam colocando os ingredientes nos tachos e panelas, enquanto falavam
de assuntos que só às mulheres diziam respeito. Os homens arredados das tarefas
domésticas aproveitavam o tempo antes do almoço para conversarem quase sempre de futebol.
Gostava de assistir à conversa de uns e de outros, até a dado momento ser interrompida
pela minha mãe que me incumbia como filha mais velha da tarefa de pôr a mesa, com
a ajuda dos irmãos mais novos que ajudavam no que podiam. À hora marcada, muito
perto da uma da tarde, dava-se, então, ao início do almoço de domingo, em família,
que se prolongava pela tarde fora...
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
A Travessia
«Em busca de uma segunda oportunidade, Anthony fará uma jornada de redenção e encontro com o seu verdadeiro ser. A Travessia de WM. PAUL YOUNG»
Todos
temos muralhas que crescem no nosso interior! Cabe a cada um de nós tratar do
terreno interior para que seja fértil e, permita nele existir, ao invés de
muralhas, um lindo jardim! As muralhas a que me refiro foram magistralmente descritas
no livro “A Travessia” de WM. Paul Young. Possivelmente, este foi um dos
melhores livros que li! Terminei, hoje, 27 de dezembro de 2013, a leitura das
300 páginas com lágrimas a escorrem-me dos olhos sem que as pudesse evitar. Ao
mesmo tempo fui invadida por um turbilhão de sentimentos que foram desde a alegria
até à saudade. Já é longa a mania de escrever na contracapa ou nas páginas sobrantes
dos livros que leio. Este exercício permite-me guardar para memória futura um comentário
ou desabafo sobre a leitura finda. Possivelmente esta é uma das razões para não
emprestar os livros a outras pessoas, por conterem aspetos íntimos da minha
alma, que não desejo partilhar. Porém, desta vez, contrariando o habitual, nada
escrevi! Preferi partilhar as palavras iluminadas deste autor (não o conhecia).
Confidencio, também, que, possivelmente, dada a riqueza da mensagem, voltarei a
reler o livro, de modo a compreender melhor alguns dos ensinamentos. Sublinhei algumas frases que a mim me pareceram dirigidas.
Desde o início da leitura considerei que o autor só podia ter escrito todas
aquelas palavras se estivesse em Comunhão com Deus. É incrível o fio condutor
da história, a forma como o autor articula as frases entre capítulos, prendendo
a atenção do leitor desde o início até final do livro. Realmente existem pessoas
raras com o propósito de guiarem outras almas perante as encruzilhadas
terrenas. Durante a leitura do livro foram inúmeras as vezes que me senti esmagada
com a força das palavras de WM. Paul Young. A leitura foi demorada, foi
realizada aos “pedacinhos”, entre viagens de transportes públicos casa-trabalho.
Houve alturas durante a leitura, refira-se com esforço, reprimi algumas das
emoções que sentia em determinadas passagens do livro. O estado de espirito ia variando
de acordo com ação das personagens entre a alegria, tristeza, esperança,
arrependimento e a redenção. Mas o que importa ressalvar é a mensagem de Amor que
o autor transmite e, enaltecer o poder da Oração que norteia toda a narrativa. Podia
fazer inúmeras citações das palavras que me tocaram, no entanto, muito do que
atrás escrevi, poder-se-á resumir nestas frases: « – A confiança implica
riscos, (…), e há sempre riscos nas relações. Mas sabes uma coisa? Sem as relações
entre pessoas, o mundo não faria sentido. Algumas relações são mais complicadas
do que outras, algumas duram pouco, outras são difíceis e poucas são fáceis,
mas todas são importantes. » - Aconselho a leitura!
quinta-feira, 26 de dezembro de 2013
Sociedade de Contrastes
Tenho dificuldade em imaginar a sociedade portuguesa dentro de vinte
anos! A taxa de natalidade em Portugal era, em 2011, a quarta mais baixa da
União Europeia, com 1,35 nados-vivos e, em 2013 o declínio de nascimentos
continua a acentuar-se. Estamos perante uma sociedade muito doente e
aparentemente nada se faz de concreto para travar este hediondo flagelo. As
explicações para compreender os contrastes sociais residem na própria
organização da sociedade! Numa sociedade moderna somos todos definidos pelo
trabalho. Não podia no meu entender estar mais atual a Teoria de Karl Mark
sobre o “Capitalismo”. A relação entre as classes é sempre uma relação
conflituosa, por ser desigual. Ele chamou o Capitalismo de "ditadura da
burguesia", executada pelas classes ricas para o seu próprio benefício. O
proprietário dos meios de produção é quem define o tempo, o ritmo e o valor do
trabalho do trabalhador, que por sua vez é dono apenas da sua força de
trabalho. Analisemos as condições de vida de muitos portugueses: qual o
rendimento escolar de muitas crianças que chegam às escolas sem refeições?!
Como podem muitos dos jovens constituírem família e, consequentemente, terem filhos
quando a sociedade onde nasceram lhes veda a possibilidade de conseguir
trabalho?! Diametralmente, qual a esperança que se pode transmitir a um adulto,
que em virtude das muitas falências/insolvências, procura trabalho a partir dos
quarenta anos?! Quais as condições de trabalho adotadas por muitas empresas
quando têm a consciência que existe uma percentagem de assalariados disponíveis
para ocuparem os postos de trabalho?! Salário mínimo para trabalho máximo!
Portugal está a deixar sem futuro a geração mais qualificada de sempre! De
acordo com o sociólogo João Teixeira Lopes a existência de jovens licenciados
ao emigram para França para escaparem à precariedade deve-se à sua «invisibilidade perante as instituições e
perante a diplomacia». «Na verdade [estes jovens] significam, em muitos casos,
competências, talentos, capital humano que está neste momento a ser exportado
pelo país.» São vários os estudos que apontam que o fosso entre os mais ricos e
os mais pobres é acentuado, a desigualdade de rendimentos familiares e
salariais, faz com que Portugal seja "um dos países mais desiguais da
Europa". A tomada de consciência sobre a problemática das “desigualdades sociais”
é o primeiro passo para que todos os portugueses possam exigir sobre os
responsáveis económicos, políticos e sociais medidas efetivas para inverter o
estado de situação a que chegamos. Os meus votos para 2014 passam por Acreditar
que o futuro de Portugal está nas mãos de cada um de nós e, nas ações coletivas
que possamos empreender para exigir uma sociedade mais justa!
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
Nas Tuas mãos
Dou
por mal empregue o tempo ocupado pelo meu pensamento para estruturar frases
sobre o que havia de escrever nesta data. Ensaiei por algumas vezes a
combinação «certa» de frases cujas palavras descrevessem os sentimentos que pairavam na mente. Em
alguns dias consegui expressar em outros textos o que sentia no momento. O livro da vida é composto
por múltiplos capítulos, alguns já escritos, outros cujas páginas em
branco aguardam palavras de uma história (quase sempre) diferente do plano
inicialmente traçado. A conclusão a que chego é que tudo o que vem até nós vem no
tempo certo. Nas páginas do livro pessoal que leva mais de quatro décadas apenas tenho o conforto de saber que jamais
desvirtuei o sentido das palavras, escrevi o que era verdadeiro mesmo quando a
inspiração ou o rumo dos acontecimentos pareciam fugir de mim. Afinal, aqui,
estou eu, no dia por que tanto ansiei, fazendo uma espécie de balanço deste
quarto de século que me pertence, como se este exercício arrumasse dentro do
meu interior os acontecimentos no devido lugar, catalogando-os por assuntos,
conforme o seu grau de importância. Nesta espécie de introspecção com data
marcada dou comigo a pensar que as etiquetas mentais são resultado das aprendizagens
adquiridas ao longo da vida, valorizam o que é de valorizar, perdoam o que é de
perdoar. Lamentavelmente, direi, que (ainda) não tenho o condão de esquecer o
que é de esquecer, possivelmente por acreditar que a responsabilidade de cada
um deve ser assumida. Sendo, igualmente, verdadeiro que a palavra rancor ou
outras suas semelhantes não farão parte do meu léxico e tão pouco da minha
essência. No entanto, sublinho que «não darei o outro lado da face» a alguém,
que deliberadamente (ou gratuitamente cause sofrimento ou mal-estar), antes pelo contrário, defenderei como guerreira, com todas as
armas ao dispor os princípios e valores
que norteiam a minha maneira de pensar e de agir. Consequentemente, arcarei,
com as responsabilidades que me serão devidas pelas escolhas efectuadas. Se por
um acaso, seja no início, a meio, ao mesmo no final da trajectória verificar
que errei, ou me precipitei na tomada de decisão, estarei na primeira linha do
campo de batalha a pedir perdão e tudo fazer
para remediar os estragos causados. Neste balanço que me parece oportuno
e, por isso, digno de registo, confirmo que nem tudo correu como planeado, mas
o saldo é muito positivo! E, porque considero que a vida é uma grande
oportunidade, hoje não finalizarei a minha história fazendo alusão ao tempo
passado, decidi que dado o rumo dos
acontecimentos o que é importante é a minha acção presente. Desejo libertar o
meu pensamento das coisas insignificantes e elevar o meu espírito até Deus
agradecendo-Lhe pela oportunidade de me deixar viver. Desejo que a minha alma
esteja suficientemente leve para que Ele escute as minhas preces e, continue a
proteger as «minhas» duas preciosidades terrenas que são os meus dois filhos.
Não poderia de maneira alguma, esquecer, os «outros» dois anjinhos celestes,
que Deus acolheu até à minha chegada. Lembro-me,
também, de todos aqueles que eu amava e, que entretanto, partiram, para o merecido descanso. A todos os que me honrarem com a leitura deste desabafo,
direi: «Aproveitem a vida. Ajudem-se uns aos outros. Não deixem nada por dizer
e nada por fazer1».
1 António Feio, ator, 1954-2010
sábado, 7 de dezembro de 2013
Partiu um homem bom!
Partiu
um homem bom! A derradeira caminhada ocorreu a 5 de Dezembro de 2013, aos 95
anos. A noticia foi dada ao mundo pelo atual
Presidente da África do Sul, Jacob Zuma: "A nossa nação perdeu o seu
melhor filho. O nosso povo perdeu o seu pai". Milhões de pessoas juntarão as
vozes e em uníssono dirão que perdemos o exemplo vivo de dignidade, de
tolerância, capacidade de perdoar, liderar e virar o rumo histórico do seu país.
Esteve 27 anos em cativeiro, vítima de um hediondo regime de apartheid. A segregação
racial vigorou na África do Sul desde 1948 a 1994 legitimada pelos
sucessivos governos onde a maioria negra foi descriminada por
uma minoria branca. O apartheid trouxe violência e um significativo movimento
de resistência interna. Nelson Mandela foi o exemplo da grandeza humana e
quando eleito como o 1º Presidente negro da África do Sul empenhou-se na
reconciliação nacional. Nelson Mandela amainou os ventos carregados de ódio e
cultivou a Paz entre os sul-africanos. Defendeu que brancos e negros eram
filhos da mesma nação. A Humanidade tem que volver milénios na sua História
para encontrar outro Homem da mesma grandeza, Jesus Cristo. Sim, Nelson
Mandela, poder-se-á comparar a Jesus Cristo! Sorte daqueles que lhe foram contemporâneos,
congratulando-me por ter vivido neste tempo e expressar com palavras humildes a minha enorme admiração pelo seu exemplo de
vida. Comovo-me com a sua partida. O Céu espera o Seu regresso. Nos anais da História
da Humanidade perdurará o legado de Nelson Mandela. Descansa em Paz Madiba. 1
1 Madiba é o nome do clã Thembu a que Mandela pertence. Foi também o nome de um chefe Thembu no século XIX. Chamar Madiba a Mandela é sinal de carinho e respeito.
Nelson Rolihlahla Mandela foi um advogado, líder rebelde e presidente da África do Sul de 1994 a 1999, considerado como o mais importante líder da África Negra, ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 1993, e Pai da Pátria da moderna nação sul-africana.
1 Madiba é o nome do clã Thembu a que Mandela pertence. Foi também o nome de um chefe Thembu no século XIX. Chamar Madiba a Mandela é sinal de carinho e respeito.
Nelson Rolihlahla Mandela foi um advogado, líder rebelde e presidente da África do Sul de 1994 a 1999, considerado como o mais importante líder da África Negra, ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 1993, e Pai da Pátria da moderna nação sul-africana.
domingo, 1 de dezembro de 2013
Violência Gratuita
Vivenciei com tristeza os acontecimentos ocorridos esta semana no final das aulas na escola do meu filho. Depois de um dia na escola qualquer criança gosta de ouvir o toque que anuncia o final das aulas. O recreio representa os minutos mágicos. Eu consigo com facilidade ainda recordar aquela ansiedade em criança para que os minutos passassem a correr para terminar uma qualquer brincadeira deixada a meio dum recreio anterior. Ressalvo que o meu tempo de criança não se assemelha muito ao de hoje excetuando-se, obviamente o facto de termos todos a mesma idade. Só para recordar as diferenças em Portugal em finais dos anos 70 e início dos 80 a televisão tinha início de emissão apenas ao final da tarde; nós as crianças de então brincávamos no espaço público umas com as outras sem muitos dos receios que presentemente existem. Claro que há vezes existiam as “tais” rivalidades que originavam pequenas lutas e que por vezes deixavam marcas físicas, principalmente nos mais fracos fisicamente que eram facilmente dominados pelos mais fortes ou pelo grupo com mais elementos. Devido à edução que recebi em casa e que estruturou para sempre a minha forma de pensar e de agir quase sempre me posicionei como defensora de todos aqueles que eram rejeitados das brincadeiras. Nunca senti um “especial” prazer em excluir um amigo ou colega de turma e muito menos fazer chacota por falta de algum atributo físico ou mental. Lembro-me de entrar em brigas que inicialmente não eram minhas só porque algum dos meus amigos estar envolvido. Houve alturas que suportei algumas “arrochadas” por não medir convenientemente a força dos intervenientes da briga. Após esta breve introdução volto ao tema que me desagradou a semana passada. O meu filho de 8 anos estava no recreio no final das aulas a brincar com os seus colegas de turma onde se incluía o seu melhor amigo. O meu filho e o seu “melhor amigo” conhecem-se do tempo da creche onde ambos ingressaram com 4 anos e instantaneamente desenvolveram uma forte ligação. Quando transitaram da Infantil para a Primária eu própria empenhei-me junto da escola para que os dois não fossem colocados em turmas diferentes. Lembro-me inclusivamente que escrevi uma carta à Direção Escolar onde expus os motivos que considerava importantes para não separar “os dois melhores amigos”. Até à semana passada nutri um especial carinho por aquele menino de sorriso fácil companheiro das brincadeiras do meu filho. Na passada segunda-feira, 25 de novembro, estavam os dois mais um grupo de colegas a brincar à apanhada, quando um colega de ambos decidiu parar a brincadeira para imaginem colocar dentro da boca do meu filho algumas folhas secas e inclusivamente um saco plástico que estava no chão. O “melhor amigo” do meu filho achou tanta graça à brincadeira que em vez de proteger o amigo quis também encher a boca dele com lixo. Nem consigo imaginar a reação do meu filho, além de tentar afastar os dois colegas deve ter ficado incrédulo com a atitude do seu “melhor amigo”. Não satisfeitos os dois rapazes do lixo desataram ambos a malhar no meu filho. Valeu ao Daniel um outro colega da turma que achando existir desproporcionalidade naquela luta interveio em sua defesa. Logo depois chegou a auxiliar que vigiava o recreio e que repreendeu veemente os dois incitadores da briga e porque é conhecedora dos comportamentos individuais de cada um, castigou-os. Recordo que algumas semanas atrás o meu filho tinha comentado que o seu “melhor amigo” lhe tinha tirado um autocolante que inicialmente lhe tinha oferecido para depois o entregar a outro colega – ele ficou sentido – na altura eu desvalorizei o ocorrido q.b. e disse-lhe que o “amigo” tinha agido mal. No dia seguinte à briga, o Daniel não queria ir para a escola, queixou-se com dores de barriga. Eu compreendi que esta era a forma dele reagir ao episódio do dia anterior, mas incentivei-o a enfrentar o problema. Ora, nessa terça-feira, o “melhor amigo” do meu filho, não satisfeito com o desfecho do dia anterior decidiu fazer campanha entre os colegas de turma para não brincarem com ele! Chegou a fazer chantagem dizendo quem brincasse com o Daniel não brincaria com ele. Uma vez mais o “melhor amigo do meu filho” não foi bem-sucedido na pretensão de exclusão do Daniel das brincadeiras, houve um colega de ambos por considerar o pedido sem sentido, afastou-se dele! Esta reação dos colegas deve ainda ter irritado mais o “melhor amigo do meu filho” que decidiu voltar à carga e decidiu num dos recreios agredir gratuitamente o Daniel. Acredito que o meu filho fez o que pode para se defender mas de certeza que não estava a contar com esta atitude do “ seu melhor amigo”! Mais do que as nódoas negras que resultaram da agressão, notei o desgosto dele por sentir que amizade de ambos foi gravemente comprometida. A Escola desempenhou o seu papel. A professora na quarta-feira de manhã expôs à turma a bizarra situação e aplicou uma medida corretiva aos dois agressores do meu filho impedindo-os de frequentarem o recreio. Não os deixou na sala de aulas – isso, implicaria ter uma auxiliar por conta deles – ambos passaram os recreios toda a semana sentados num banco a verem os colegas a brincar. Sei que também chamou à escola o encarregado de educação do ex-melhor amigo do meu filho. Alguns que leem esta história podem ser tentados a pensar que se tratou se uma simples “brincadeira” de crianças. Eu como mãe não concordo. Devemos estar atentos a todos os sinais. Além das mazelas físicas que resultaram da briga esteve em causa, uma tentativa de exclusão entre colegas – diga-se como sempre despropositadíssima… Este sábado o meu filho esteve na festa de aniversário de um colega de turma, os dois agressores não foram convidados. Ao mesmo tempo que eu dava os parabéns ao aniversariante aproveitei para lhe agradecer pela defesa do meu filho, foi ele que terminou a luta igualando as forças – no lugar dele eu teria feito a mesmíssima coisa! Desejo profundamente que a situação fique por aqui!
sábado, 23 de novembro de 2013
ZIG
terça-feira, 12 de novembro de 2013
Não importa onde nascem as amendoeiras (desde que floresçam!)
«Acreditas em vidas passadas?» Ele esboçou um ligeiro sorriso no rosto ao mesmo tempo que o abanar de cabeça pretendeu
responder à questão negativamente. Que pena! – Pensou ela –, tivesse ele respondido
de outro modo ou quisesse explorar o lado místico daquela relação, o tema só
por si, ocuparia muito daquela conversa. Se bem que ela não acreditou muito no
teor da resposta. Algumas pessoas mesmo quando afirmam não acreditar naquilo
que não conseguem observar ou experimentar têm sempre um lado místico associado
às suas vidas. O misticismo é a procura do ser humano pela comunhão entre o espirito
e a realidade; ou seja, algo que em alguns momentos permite explicar determinados
acontecimentos ou mesmo ligações a determinadas pessoas em detrimento de outras.
Quando um ser humano se liberta das regras impostas consegue viajar até aos
confins da mente, para a época mais embrionária da consciência, onde a
fronteira entre o real e o sonho se cruza. Aquela amizade era disso prova,
verdadeira e especial, resistente à erosão do tempo e das circunstâncias. Ao
longo dos anos tinham preservado no interior de cada um uma espécie de cantinho
isolado, onde o sentir flui para além das palavras e onde o silêncio encerra em
si mesmo múltiplos significados. Ela acreditava que duas almas quando se
entrelaçam, encontrar-se-ão muitas vezes em tempos e lugares diferentes das
suas realidades. Ambos sentiriam em
tantos dias aquilo que outros já protagonizaram em histórias imemoriais.
Lembro-me de uma história, daquelas que se contam às crianças e que se reveste
de amor e de esperança. Reza a lenda que uma linda princesa nórdica que vivia
nas terras quentes de Portugal, não conseguia sorrir nem ser feliz porque as saudades
do manto branco que cobria os campos da sua terra no inverno eram imensas. Até
que o rei mouro, temendo perder a sua amada teve a brilhante ideia de mandar
plantar por todo o Algarve grandes extensões de amendoeiras que, no início de
cada Primavera davam à princesa a ilusão da neve e, assim, ela ficou curada da
sua nostalgia. O rei mouro e a princesa viveram um intenso amor e, ano após
ano, a Primavera renovava o maravilhoso espetáculo das amendoeiras em flor. Não
importa onde nascem as amendoeiras, quando duas almas se encontram, “jamais se sentirão sozinhas, porquanto
entenderem, por si só, a infinita necessidade, que têm uma da outra para toda a
eternidade”.1
sábado, 2 de novembro de 2013
Com os olhos nas águas do Tejo
No
tempo que seguiu ao teu derradeiro adeus senti a ansiedade a
apoderar-se do meu estado de espírito. Durante largo tempo não fui bem-sucedida nas
tentativas que realizei para esboçar um simples sorriso, a tristeza fez questão
de me acompanhar em demasiados dias. Assumi com a tua partida que uma parte de mim sucumbira para
todo o sempre. Nesse tempo sombrio não encontrei motivos para que o coração
continuasse a bater, a minha alma vazia não desejava sequer continuar a viver. Sobrevivi
porque as funções vitais desempenharam convenientemente o seu papel. O luto,
esse, não passa nunca. Com o passar dos anos a dor foi apenas diminuindo de
intensidade tornando o luto numa espécie de convívio diário. Há dias num final de tarde
quando regressava a casa, viajava absorta
em muitos pensamentos com o
olhar perdido nas águas do rio Tejo, quando um agradável cheiro a perfume se
intrometeu entre mim e a paisagem. Senti um arrepio a percorrer o meu
corpo. Aquele cheiro a perfume levou-me de novo até ti. Todos os significados
da nossa história continuam bem presentes - aquele perfume foi-me há muitos anos oferecido por ti e, tornou-se uma parte de nós - tu e eu recordaríamos aquele aroma como nosso. Do nosso passado não recordo as palavras ditas,
nem tão pouco os silêncios do olhar, mas na memória ficaram registadas
as emoções sentidas. Aquele aroma de um perfume doce guiou-me no tempo, a uma outra tarde décadas atrás, onde tu estavas em casa doente e eu só desejava
chegar depressa para ficar ao teu lado. Lembro-me que desse tempo longínquo,
os nossos sentimentos de amor pareciam perfeitos, mas tudo tem um fim… Lamentei de novo a ausência num espaço
que te pertence e, com saudade afastei as lágrimas do meu coração. Com os olhos postos
nas águas do Tejo a luz alaranjada do sol levou-me de novo ao presente. Aprendi
que na vida às vezes perdemos mas que o amanhã
será sempre um novo dia.
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