sábado, 14 de abril de 2012

Estados d'alma

Esta manhã o tempo estava chuvoso, havia vento e o céu estava coberto de nuvens. Antes de ter começado a escrever dei um passeio pelo jardim. Gosto de observar as árvores, a relva, as flores, todo o conjunto dá-me uma sensação de calma interior. Junto de mim estava o Óscar, o meu fiel amigo de quatro patas que me acompanha para tudo o que é lado. Quando ainda era cachorro dei-lhe o nome de Óscar porque do conjunto das várias raças que possui, a raça cocker destaca-se, fazendo-me lembrar um distinto escritor inglês. Tem pêlo preto em grande parte do corpo, semelhante a uma espécie de smoking. No peito o pêlo branco, lembra uma camisa branca a condizer com a restante fatiota. Para não destoar na indumentária as patinhas pretas são matizadas de cor branca. Enquanto eu caminhava no jardim esta manhã, o Óscar saltitava ao meu lado, querendo atenção, mas o meu pensamento estava longe… Parei junto das buganvílias, deliciando-me com a sua cor, umas amarelas, outras cor-de-rosa, que no conjunto conferem ao jardim uma decoração muito aprazível. Acariciei os pequenos troncos, em jeito de  cumprimento. Desde que despontam e até que morrem as plantas e as árvores estão sempre paradas no mesmo sítio. As suas raízes estão enterradas no chão, enquanto, procuram, o céu em função da luz. Esperam no mesmo local pelo sol e pela chuva, passam de uma estação para outra, até ao dia em que deixam de viver. Podia-se pensar que nos humanos as coisas, também se passam um bocadinho assim, mas, não, ao contrário de outros seres vivos que estão totalmente, dependentes, dos ciclos da natureza, os humanos têm características únicas, têm sentidos que permitem interagir com o mundo exterior.  Durante o percurso de vida, irão se deparar com múltiplos caminhos. Várias são as estradas que se abrirão diante de nós. E, quando não soubermos, por qual caminho optar,   não devemos nos precipitar na escolha. Devemos nos lembrar que uma árvore com muita ramagem, mas, com curtas raízes é, facilmente, derrubada na primeira rajada de vento.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Vesti-me de azul

Demorei 30 anos, parece muito tempo mas, na realidade, recordo como fosse ontem... Tudo se passou quando tinha 9 anos e estava preparada para realizar a Primeira Comunhão e não compareci na Igreja, porquê? Porque o preconceito social em finais dos anos setenta ainda impunha que as meninas nestas ocasiões, fossem vestidas de branco e eu não tinha o tal vestido... Certamente que podia ter ido na mesma, desafiando os cânones da época mas não tive coragem de ir lá sozinha. Nenhum adulto da minha casa se disponibilizou para me acompanhar. Afinal, eu desde cedo, tinha frequentado a catequese por livre e espontânea vontade. Na infância percorri ano após ano, os ritos para receber o sacramento e, quando chegou o dia, num domingo de manhã, eu não fui...foram precisos 30 anos para voltar! Mas, ontem, 18/05/2008, a menina de "9 anos", esteve comigo, radiante na Igreja e, desta vez fomos ambas vestidas de azul, a minha cor favorita! Sem, qualquer tipo de critica associada, muitas pessoas estavam vestidas a rigor, como há 30 anos atrás, eu estava vestida como todos os dias, apenas desta vez, não receei o olhar dos outros, nem outro qualquer preconceito. O meu "eu" de 9 anos foi levado pela mão do "eu" de 39, ambas com um sorriso estampado no rosto elucidativo de um grande sentimento de Felicidade.  Este dia perdurará na minha memória como um dia muito emotivo, como teria sido há 30 anos atrás, mas desta vez, será recordado pela concretização de um desejo antigo! Parafraseando a minha catequista, a Helena, uma mulher inteligente que me descodificou saudavelmente, muitas imagens da Bíblia e, também, me mostrou o lado positivo da Igreja Católica: "o Tempo de Deus, não é o tempo dos homens"! Palavras às quais  eu, acrescento, cada um de nós deve fazer o melhor que sabe para viver bem e fazer o bem, todos os dias são dias de escolha, entre o bem e o mal. Se Deus nos criou à sua imagem e semelhança não pode como Pai que ama os filhos nos ver tristes, nem tão pouco infelizes ou mesmo nos penalizar, aceita-nos como nós somos. Os homens, esses, sim, pela sua pequenez arrogam-se a um poder julgador que não possuem! Acredito que não há Deus à medida dos homens, nem um Deus castigador, quem, efetivamente, julga os nossos actos é a nossa consciência, pelo que todos os dias fazemos escolhas. Ontem, o primeiro beijo de felicitação veio da minha mãe, aquele momento foi muito nosso, seguiram-se outros, da restante família, onde se incluem os meus queridos filhos, mas, efetivamente, aquele beijo da minha mãe foi muito especial, pois agora, estamos ambas em Paz! 

18 maio de 2008

sábado, 31 de março de 2012

Caminhos

Na vida devemos estar preparados para recomeçar todas as vezes as necessárias! Mesmo quando a vida insiste em nos pregar partidas, devemos aceitar determinados infortúnios, que embora, não sejam desejados, não podem impedir de continuarmos a avançar no caminho escolhido. O segredo passa por reunir as energias e obrigar a nós próprios a avançar em frente, sem ficarmos presos a um determinado passado. Podemos sempre que desejarmos visitar as memórias dos tempos idos, preferencialmente, dos tempos felizes, sem  saudosismos. O futuro somos nós que o construímos nas nossas ações diárias e nos caminhos que delineamos seguir, agora no presente. Nem sempre o sucesso estará garantido mas valerá sempre a pena lutar por determinado objetivo do que ficar à espera que algo aconteça, sem que tenhamos realizado alguma interferência durante esse percurso. Seguramente, que ao longo da vida algumas das nossas opiniões, alguns dos caminhos traçados,  não serão bem aceites por outras pessoas e, nessas ocasiões aconselha-se a ponderação e refleção sobre os prós e os contras antes de uma tomada de decisão. No entanto, Acreditar em nós próprios é primordial, porque algumas das rejeições (porque são  desprovidas de fundamento) devem ser apelidadas de meros contratempos à persecução das nossas metas. Acredito, para a frente é sempre o caminho!

sábado, 17 de março de 2012

Por todos os abraços (que não existiram)

Só consigo entender o acidente de viação ocorrido dia 14/03/2012, na região suíça de Valais e que vitimou 22 crianças e 6 adultos, caso o céu necessite de estrelas para iluminar a noite!
Como calar o grito incrédulo face à terrível tragédia, se por mais alto que ele seja, não consegue no peito silenciar a dor! 
Como enxaguar as lágrimas do rosto se estas teimam em não parar de correr?
O céu devia estar mesmo a precisar de estrelas ….   
Por todos os abraços que estas crianças e adultos não deram às suas famílias no regresso a casa, resta pensar que lá do alto, no céu, se acenderá uma estrela por cada um, para confortar nas noites estreladas os corações de todos aqueles que agora sofrem na Terra com a sua partida…


sábado, 10 de março de 2012

Escolhas


Temos por vezes que enfrentar o receio interior e dar um passo em frente! Não adianta fugir à inevitabilidade dos acontecimentos, as coisas acontecem de determinada maneira, porque assim, têm que acontecer. Na nossa passagem pela vida, somos convidados a fazer escolhas e a assumir posições. Interessa em todas as circunstâncias salvaguardar a Verdade!
Há que saber defender os nossos pontos de vista, com a consciência que outras posições diferentes da nossa foram, igualmente, respeitadas.     Nem sempre dispomos do tempo necessário para analisar convenientemente, todos os ângulos das questões. Somos colocados à prova em diversas situações e aprendemos a superar os circunstancialismos com as ferramentas disponíveis. A experiencia de vida, pode em alguns casos, antecipar cenários futuros e a procura pela Verdade pode resultar num caminho pouco linear para se percorrer. É no entanto, a nossa noção de respeito e lealdade, que irá dar à consciência a paz necessária, para assumir com dignidade o corolário dessas escolhas …