Daqui a 20 anos vejo-me sentada contigo a partilhar as nossas memórias. Estaremos, juntos lado a lado, num areal de praia, num final de tarde, contemplando a beleza da paisagem que nos rodeia. O sol, tal, como nós, começará, lentamente, a desaparecer no horizonte. A nossa conversa desenrolar-se-á com facilidade, ao ponto, dos temas, quase se atropelarem, uns nos outros. Sorrirás para mim e, eu, retribuir-te-ei, de imediato, o sorriso. As nossas mãos, já gastas pelo tempo, estarão juntas. Falaremos das viagens que fizemos ao longo da vida. Descreveremos, os pormenores dos lugares, das pessoas, das coisas que nos tocaram. Dir-me-ás que em certos momentos, quando a saudade apertou, conseguiste-me encontrar na beleza das flores, nos cheiros da natureza ou no amanhecer ou no pôr do sol. Outras vezes, pegaste nas minhas palavras que te confortaram no silêncio das noites. Falaremos dos sonhos perdidos e daqueles que realizámos. O mundo à nossa volta, esse, deixará de nos interessar, seremos, absorvidos, pelo momento. Perguntar-nos-emos, porque a vida tomou determinado rumo, quando podia ter tomado outro diferente. Responderemos, a todas as interrogações, com o desapego de alguém que nada tem a esconder. Lembraremos, conversas antigas, deixadas a meio, que recomeçam, como, se os anos, não, tivessem, passado. A experiência de vida, essa, fará com que aproveitemos, sofregamente, todos, os segundos. Ainda, teremos, forças, para fazer planos futuros, os nossos próximos 20 anos. Diremos que serão os derradeiros e que teremos que aproveitar tudo muito bem. Nesse, momento, aninhar-me-ei em ti, e tu, ternamente, tentarás me proteger. Ouvir-me-ás dizer que não receio a partida e, se porventura, viajar antes de ti, quando chegares estarei à tua espera para continuar o diálogo. Quando já estivermos cansados de tanto falar, ficaremos, juntos, na quietude do lugar, disfrutando a presença um do outro e, possivelmente, o melhor momento, das nossas vidas …
terça-feira, 9 de outubro de 2012
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Coisas que a vida me ensinou...
A vida já me ensinou
tantas coisas e sei que continuará a ensinar. De todas as coisas que aprendi, quero,
acreditar que o bem vai prevalecer, sempre, sobre o mal. A luta que travamos, muitas
vezes no nosso interior e, também no exterior, levará a que algumas vezes, sejamos, tentados, a perder a esperança. Como, sempre, acontece, é nestes momentos
de inquietude, que os anjos vêm em nosso auxílio. Não sou do género de
pessoa que frequente, regularmente, a Igreja. Estou, no grupo daqueles, que não pretendem intermediários, nas conversas intimas com Deus. Embora, tenha a ressalvar que me sinto sempre bem, cada vez que visito a casa do Senhor! Fiz a primeira comunhão aos 39
anos, porque aos 9 anos não pude realizar esse meu desejo… fi-lo em idade
adulta, muito consciente do meu ato. Tentei, fazer o Crisma, lamentavelmente, o
percurso, não foi concluído, não gostei daquilo que escutava no grupo, mas, o
erro só pode ser meu, portanto, a caminhada continua, sozinha, com Fé!
Respeito, todas as confissões
e religiões! Repudio as guerras que se fazem por este mundo fora em nome de
Deus! Deus é pai e, como tal, quer o melhor para os seus filhos! Infelizmente, penso
que a luta titânica que travamos entre o bem e o mal, acompanhará a Humanidade
até ao fim dos seus dias. Cabe a cada um de nós fazer a escolha acertada, entre
uma e outra decisão. Em muitos momentos (senão, em todos), devemos estar
atentos aos sinais. Esta semana, recebi vários sinais. Alguns sinais, eram de
alerta para determinadas situações, escutei os meus receios e recuei. Senti,
que precisava de proteção extra. Falei das minhas inquietações com algumas
amigas do coração, pedindo-lhes orações. A ajuda chegou, no exato momento, como,
chega sempre, para quem a solicita! Aprendi, a custo, e, ao contrário do que
julgava, que não se deve olhar o mal nos olhos…não, por recear, mas, porque,
nada se tem a ganhar no desafio e, inclusivamente, podemos deitar tudo a
perder! O mal é demasiado ardiloso e conhecedor dos caminhos alternativos para
atingir os seus propósitos. Há que estar alerta e pedir ajuda aos anjos protetores,
podem ser divindades como pessoas especiais que nos rodeiam. No momento exato
saberemos a quem recorrer. A comunhão das orações, criará uma rede de proteção
muito poderosa e, capaz de fazer milagres, perante situações extremas. A vida, em
toda a sua plenitude, são ensinamentos, há que continuar a acreditar, que
melhores dias virão! Na nossa ação diária, bastará agir com o coração puro e, não
ficar à espera que o “milagre”, só por si aconteça...
sábado, 29 de setembro de 2012
Clemência! Salvem as crianças da Siria!
As
lágrimas continuam a saltar dos meus olhos, sempre que lembro os impressionantes
relatos dos jornalistas nos campos de refugiados, que albergam as crianças oriundas da Síria.
Estas crianças com 10 e menos anos, foram torturadas nas prisões, ao ponto de
lhe arrancarem as unhas e lhe cortarem os dedos das mãos. Estas crianças, viram
pelo menos 1 membro das suas famílias a ser morto! Uma criança de sexo
masculino relatou para a reportagem, que após um intenso bombardeamento das
forças militares leais ao presidente da Síria Bashar al-Assad, viu pedaços de
carne humana dos seus familiares espalhados pelo chão! O menino chorava,
dizendo que as imagens não lhe saem da cabeça… Estas crianças não conseguem
dormir! Mesmo, agora, que estão no campo de refugiados, supostamente “protegidas”
estas crianças, não conseguem descansar, devido ao trauma de guerra! Estas
crianças mutilam-se e brigam violentamente entre si! Apelo à consciência
dos líderes mundiais, dos mais altos representantes da ONU, da população do
planeta Terra, PROTEJAM POR FAVOR ESTAS CRIANÇAS! Acabem com o massacre junto
da população Síria! Mas, afinal, que mundo é este, onde, vivemos???
sábado, 22 de setembro de 2012
Partilhando experiências de vida: os filhos!
Considero-me uma mãe galinha, os meus filhos são para mim, os maiores tesouros que a vida me podia oferecer! Considero-me uma mãe protetora, mas, dando o necessário espaço aos meus filhos, para eles poderem crescer e serem pessoas autónomas. Tento transmitir-lhes valores e princípios, de modo, a que eles sejam pessoas que valorizem o respeito e a tolerância, na sua convivência social. A diferença de idade entre eles, faz com que eu tenha a necessidade de estar sempre atualizada face à realidade que os rodeia. As personalidades dos meus dois filhos são distintas entre si. O nascimento da minha primeira filha, encheu-me de alegria, pelo facto de concretizar o sonho de ser mãe. A ligação que temos uma com a outra, é desde o primeiro momento, forte e muito afetuosa. Desde os primeiros passos, que ela se destaca pela sua avidez de obter conhecimento. Encontra-se no presente, na adolescência. A minha filha faz da escola a sua principal responsabilidade. Ela, diariamente, esforça-se, para conseguir boas notas em cada período escolar. Até ao momento, ela é o exemplo, que o esforço individual, aliado a métodos de estudo, compensam no final de cada ano. Ainda, recordo a entrada dela, aos 5 anos no pré-escolar. Era uma criança tímida, que, lentamente, foi desabrochando. Na escola primária destacou-se pela facilidade com que adquiria os conhecimentos ministrados pela professora Isabel Mota (presto-lhe com esta frase, uma, merecida homenagem). Nós, a família, sempre, acompanhamos as fases de desenvolvimento dos nossos filhos. Ao contrário de relatos que ouvimos de outros pais, com adolescentes da mesma idade, nunca durante o percurso escolar da minha filha, tivemos a necessidade de a “obrigar” a aplicar-se no estudo. A minha filha tem regras de estudo próprias e, quando tem dúvidas, pergunta a quem a possa esclarecer. Para o próximo ano letivo terá que decidir sobre a sua área vocacional. Estou convicta, seja qual for a decisão dela, terá o maior empenho na persecução dos seus objetivos. Falarei, agora, um pouco do meu menino de ouro, de 7 anos. Tal, como a irmã, foi um bebé muito desejado. Com a diferença que o meu menino, desde o seu primeiro sinal de vida, foi considerado para mim, e para as pessoas que conhecem a nossa história, um vitorioso. O meu filho mais novo, foi a minha quarta gravidez. As duas gravidezes anteriores, a do Miguel e da Raquel, segunda e terceira gravidez, respetivamente, não chegaram ao fim do período de gestação… Finalmente, em Maio de 2005, depois, da perda dos meus dois anjinhos, nasceu o meu menino de ouro, saudável e lindo, para minha grande alegria. As minhas primeiras palavras, minutos depois do seu nascimento, foram: - Eu, já te conhecia J ! Tais eram as parecenças físicas com a irmã! O meu bebé nascera careca, tal como a irmã, nascida em Fevereiro de 1998. É costume dizer-se que a partir do primeiro filho, os outros filhos, criam-se quase sozinhos. Não sei, se assim é, mas o facto, de já se ter feito, uma viagem, ajuda um pouco na segunda. O meu menino, embora, seja inteligente, não é tão aplicado na escola como a irmã. Também, confesso, desconhecer se as questões de género são para aqui chamadas, mas, sinceramente, acho que não. Ao contrário, da irmã, que delineou sozinha o seu plano de estudo, ele tem que andar sempre com um “guarda” atrás para estudar! Por ele, a escola, é coisa secundária se comparada com a brincadeira. Na família, verificámos, desde cedo, que ele se distrai com facilidade, o que prejudica a assimilação de conhecimentos. No ano transato, ele concluiu com aproveitamento, o 1º ano, da escola primária, a antiga 1ª classe. Em casa, percebemos que tínhamos que colocar em prática um plano B, para o ajudar a consolidar as aprendizagens. As férias grandes, não foram apenas brincadeira, como ele teria gostado que fossem. Ele foi obrigado a dedicar parte do dia a estudar, a fazer cópias, ditados e leitura. Tal, como a irmã, considero, que ele, tem facilidade para o raciocínio matemático. Considero que esta apetência para as ciências o irá favorecer no futuro. No entanto, terá que na longa caminhada escolar, treinar e desenvolver outras áreas, como o português. Como a inteligência é a capacidade do individuo resolver problemas, o meu menino, com a ajuda da família, terá que envidar esforços suplementares para ultrapassar as dificuldades escolares. O papel da família, simultaneamente, além de o responsabilizar sobre as suas obrigações escolares, será fornecer-lhe, igualmente, a dose de estímulo, para o ajudar a transformar o estudo, numa caminhada de sucesso. Como esta pequena partilha de experiência de vida, quero ressalvar para outros pais, avós ou pessoas com crianças a cargo, que dois filhos, educados como os mesmos princípios e valores, podem transformar os ensinamentos recebidos de forma distinta. Aqui, nesta pequena história de vida, aplica-se bem o ditado antigo, “cada cabeça sua sentença”.
As pessoas são dotadas de personalidade singular, por isso diferentes entre si. Cabe em cada contexto, a família acompanhar o desenvolvimento dos seus filhos, sem os aprisionar a regras “testadas” por outros. Família e escola são importantes na formação das pessoas. A escola deverá representar bem seu papel, que é ensinar e transmitir conhecimentos. A família deve ser vigilante durante o percurso escolar e, se necessário, estimular os seus educandos, incutindo-lhes responsabilidades sobre os seus desempenhos, obrigando a trabalhos suplementares que os ajudem a ultrapassar algumas dificuldades.
No caso do meu filho de 7 anos, a expressão escrita e oral da língua portuguesa, serão os grandes desafios no presente ano letivo. No entanto, estou convicta que ele no final do ano, sentir-se-á muito recompensado pelo esforço despendido na obtenção de novos conhecimentos .sexta-feira, 7 de setembro de 2012
A sentença de um significado
Algumas, vezes, ficamos
presos às memórias, por uma data ou por um determinado acontecimento. Ao
colocarmos um acontecimento em evidência estamos sempre a atribuir-lhe um significado
maior, seja ele de sentido positivo ou negativo. As nossas ações são o resultado de um conjunto de juízos. Agimos de determinado modo, em função do impacto que
pretendemos causar junto de nós próprios ou de outras pessoas. Nem sempre temos
a verdadeira noção do resultado final de uma tomada de decisão. Comungo
da clássica que afirma que existem quatro coisas na vida que não se recuperam
“a pedra, depois de atirada; a
palavra, depois de proferida; a ocasião, depois de perdida; e o tempo, depois
de passado". Considero que a vida é feita do somatório das nossas
decisões. Os pequenos gestos são os expoentes máximos dos sentimentos. São os pequenos gestos que mostram a verdadeira essência das pessoas. Por vezes aquilo
que designamos por experiência de vida, vai colocando sobre os nossos ombros
uma couraça difícil de penetrar. Aparentemente, a função de nos proteger face às
agruras da vida, é substituída pela ausência de emoções face a determinados significados.
Assim, ocasiões com grande significado são relevados para patamares inferiores do grau da sua importância. Estamos sempre a falar de perdas, não acredito na
desvalorização dos sentimentos, sem existirem perdas associadas. A
desvalorização, seja ela de que natureza for, tem sempre significado negativo. Muitas
vezes gostaríamos de não reagir face a atitudes pouco consentâneas com os
princípios por nós defendidos. No entanto, e porque fazemos juízos, atribuindo
significados a tudo o que nos envolve de maneira espontânea ou elaborada, reagiremos
sempre, face a outros comportamentos. Assim, datas e acontecimentos, revestidos de
grande significado, caso não haja cuidado, perdem o estatuto da grandeza inicial
e, são facilmente, transformados no seu oposto…
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