sábado, 1 de março de 2014

Infinita Saudade


Completamente incrédula! Sim, incrédula é a única expressão que me ocorre para descrever o estado de alma naquele dia! Li uma, duas, três vezes a mensagem na esperança que as lágrimas que se soltavam dos olhos tivessem deturpado as palavras. Mas afinal o que se considerava impossível aconteceu, entristecendo-te, enlutando a tua família, causando dor a todas as pessoas que vos querem bem. Nem sei bem se conseguirei traduzir por palavras a convulsão de emoções que se apoderam então de mim. É em silêncio que recordo o início da nossa amizade. Noutras paragens há quase uma década quando, tu, eu e a Margarida nos tornamos irmãs de coração. A partir do momento que nos conhecemos tudo o que acontece a uma afeta as restantes. Depois de tantas batalhas que vencemos confidencio-te que não estava preparada para receber esta notícia. Possivelmente por acreditar que depois de momentos de grande perda haverá outros que de alguma forma compensarão as provações. Até porque desta vez a tua viagem estava no fim… Amiga queria tanto encontrar palavras de conforto que de alguma forma pudessem aliviar o teu/vosso sofrimento… e, não me ocorre mais dizer que nas portas do Céu, haverá outros anjinhos prontos a receber aqueles que agora chegam… quero acreditar, que entre eles, estará a minha Raquel de mão dada com o irmão Miguel a chamar pela tua Júlia. Sempre depositei esperanças na minha menina do céu, imagino-a muito ciente das responsabilidades de cuidadora. Se assim, não fosse, porque haveria ela de partir? Sabes este pensamento conforta-me desde há muito. Considero os filhos como extensão do nosso amor e, como tal, sinto-me duplamente abençoada. Projeto nos meus dois anjinhos celestes  a imagem dos dois irmãos da Terra, acho que a par das feições as suas essências devem ser semelhantes. Há uns anos eu que até não sou nada hábil com trabalhos manuais decidi recortar numas cartolinas quatro estrelas, duas cor-de-rosa, duas azuis e em cada uma delas colei fotografias dos meus bebés. Como não conheci o rosto de dois deles, decidi colar dois anjinhos desenhados. Depois de unir as quatro estrelinhas,  surpreendeu-me o resultado final! É no mês de dezembro que a Arvore de Natal ganha uma decoração especial! No alto da árvore, no sítio com mais destaque é colocada a minha constelação, uma estrela por cada filho!  Querida amiga se eu pudesse enxugar as tuas lágrimas, eu o faria. Se eu pudesse substituir-te na dor, eu o faria! Estarei sempre contigo!

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Até ao fim do mundo...


Não hesitaria um minuto em seguir os teus passos. Como não poderia de resto faze-lo? Em tantos dias num silêncio que por vezes me pareceu ensurdecedor ansiei por um amor como o nosso. Decerto só poderia dar valor ao presente se no passado tivesse conhecido de perto o sofrimento. E, se assim foi, fico feliz por todas as lágrimas que derramei e por todos os desencontros que tive para chegar até aqui. Pouco me importam os terrenos que desbravei ou, mesmo os obstáculos que encontrei pelo caminho. O que importa é que cheguei onde sempre quis estar e quero guardar para sempre todos os segundos junto de ti. Sinto o coração apertado só de pensar que o nosso amor um dia possa acabar… seguir-te-ia para onde quer que fosses. Mesmo que me digas que não tens para onde ir… digo-te que podemos ir juntos até ao fim do mundo. Os meus dias só fazem sentido se estiveres a meu lado. Não imagino sequer acordar pela manhã e ao abrir os olhos não encontrar o teu rosto. Ficas a saber que às vezes quando o sono teima em chegar Agradeço em silêncio por estares comigo. São tantas as pequenas coisas onde te encontro que nunca mais me senti só. Não quero lamentar pelos anos que deixamos passar, privando os sentimentos, castigando as emoções de viverem um amor como o nosso. Aprendi que tudo tem uma hora para acontecer. A soma dos dias são aprendizagens e tudo acontece quando tem mesmo de acontecer. Quero acreditar que nada perdemos, antes pelo contrário a vida encarregou-se de mostrar o real significado da palavra valor. Pelos dias de ausência, pelos silêncios de outrora quero que os nossos dias sejam todos eles preenchidos com palavras e afectos. Vem, Amor, abraça-me forte… mostra-me o teu calor que eu desejo entregar-me nos teus braços de corpo e com alma.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Professor Manuel Lima


Dia 8 de fevereiro de 2014 foi um sábado deliciosamente diferente. Sabia-o antecipadamente desde que retirei da minha caixa de correio o convite do professor Manuel Lima alusivo à comemoração dos seus 25 anos como escritor e investigador do riquíssimo património natural do concelho do Seixal. Simultaneamente, ele presenteou todos os participantes com o seu mais recente livro intitulado "A Vida Entre Marés". Foi pequeno o auditório no Moinho de Maré de Corroios para acolher todos aqueles que desejaram expressar gratidão, admiração a este grande professor, investigador e, principalmente ao ser humano que é! É com aquela facilidade de retórica que se conhecessem aos grandes mestres que o professor Lima prendeu a atenção de toda uma plateia rendida aos seus conhecimentos. Seguramente que nunca lho disse pessoalmente mas escrevo-o agora o Professor Manuel Lima é um ser humano extraordinário! Consegue sem esforço aliar a sua inteligência com as características mais nobres de uma pessoa: modéstia, simplicidade e amor. Comoveram-me as palavras da sua filha Sílvia durante o discurso quando a ele se referiu dizendo «o meu pai faz tudo por amor». Outras histórias que a filha Sílvia compartilhou com todos os presentes espelham bem a entrega e a dedicação das muitas horas de trabalho em prol da investigação do património natural e ambiental da Península de Setúbal. O professor Manuel Lima meio a brincar dizia-se surpreendido pela sala onde decorreria a comemoração dos 25 anos estar cheia. Esta manifestação de reconhecimento em nada me surpreendeu, muitos, tal como eu, quiseram desta forma homenageá-lo pelo mérito do seu trabalho. O professor Manuel Lima fez carreira como docente do ensino oficial secundário. Paralelamente em colaboração com a Câmara Municipal do Seixal fez chegar junto do grande público várias publicações sobre o património natural e histórico deste concelho. Não me lembro ao certo como travei contacto com o professor Lima. Creio que tal inicio se fique a dever a uma simples troca de cumprimento matinal ou de outro período do dia. No entanto com certas pessoas é muito fácil estabelecer automaticamente uma relação afetuosa e foi isso que aconteceu. Todos nós em minha casa nutrimos um carinho especial por ele e pela sua família. Já faz alguns uns anos quando convidou a mim e aos meus filhos para conhecermos a sua coleção privada de fósseis e com a mestria de um professor foi-nos explicando a origem e o nome de cada vestígio do passado. Não saímos da sua casa sem que antes ele tivesse presenteado a minha filha adolescente com alguns dos fosseis sobrantes da sua vasta coleção. Os fósseis foram guardados cuidadosamente até hoje numa caixa de madeira de modo a preservar a integridade do achado. Noutra ocasião chamou-me para me oferecer um pequeno Dragoeiro. Depois de este ter passado uma temporada num vaso foi transplantado com sucesso para um canteiro definitivo onde presentemente ostenta um porte maior em altura. Com certeza que haveriam outras pequenas histórias dignas de registo destes seis anos que levo de convívio com este grande homem, contudo, prefiro terminar o texto com o sincero desejo que o professor Lima continue a presentear todos com mais livros os quais considero autênticas ferramentas pedagógicas para quem deseja aprofundar os conhecimentos sobre o vastíssimo património natural que nos rodeia.

sábado, 25 de janeiro de 2014

Amor incondicional


Para alguém muito especial…
Confesso que tenho tanto medo de te perder... Já alguns dias que olho o teu rosto e comento com outros o quanto envelheceste. O pior é que me habituei a uma imagem e durante anos fui recusando ver os traços no teu rosto cada vez mais profundos. Sabes às vezes isto acontece para nos defendermos da dor da inevitabilidade… a bondade, a melhor característica que te define, continua inalterável ao longo dos tempos. Por tudo isto que acabei de escrever e por muito mais, considero que as  pessoas como tu deviam viver para sempre. Nem tenho a certeza se irás ler este texto, mas isso pouco importa, acho que até me protege devido à minha inabilidade em lidar com algumas emoções. Ainda, para mais palavras como estas, sentidas, carregadas de sentimentos de amor incondicional. Já me perguntava quando iria escrever um texto sobre ti…e, como sempre, tudo acontece, quando tem de acontecer. Definitivamente hoje era o dia… confidencio que esta manhã (bem cedo,  para uma manhã de sábado) o meu filho mais novo decidiu ver um filme infantil em vídeo que retratava muito dos sentimentos que sinto por ti. Imagina tu que até o personagem “Vítor” tinha semelhanças físicas contigo. Mas foram as outras características, aquelas que não se veem, mas que se sentem, que despoletaram a minha vontade de te agradecer por teres estado connosco quando eras necessário. Tenho cada vez mais a certeza que os maiores tesouros da vida não são aqueles que o dinheiro pode oferecer, mas a riqueza de amar e sermos amados! Poderia continuar alongar-me nos elogios porque numa pessoa como tu, é bastante fácil, prefiro, no entanto, finalizar a dedicatória, desejando que continues na nossa vida por muitos e muitos anos!

domingo, 19 de janeiro de 2014

Almoço de domingo

Na minha infância a manhã de domingo tinha um toque de magia. Gostava que os dias da semana corressem para chegar ao fim-de-semana. Lembro-me de fazer planos logo no primeiro dia da semana para que todo o tempo de sábado e domingo fossem bem aproveitados pelas brincadeiras. Quando não tinha companhia para as brincadeiras entretinha-me com qualquer coisa... às vezes, até as molas da roupa ganhavam vida e adquiriam formas de pessoas. Em cima da minha cama de dormir os cobertores eram cuidadosamente moldados com aquilo que eu chamava de carreiros para que as pernas das molas da roupa pudessem passar. E, podia ficar assim, a brincar sozinha, dando asas à imaginação, sem ter a noção das horas a passarem. Mas era sem dúvida o almoço de domingo o que mais me fascinava! Todo aquele ritual que antecedia a hora da refeição. Cada membro da família contribuía para o almoço de domingo com uma determinada tarefa, embora coubesse sempre à mãe a preparação da refeição. Ao domingo a mãe sem ter aquela pressa dos minutos contados da semana, confecionava quase sempre uma iguaria mais elaborada. A magia de uma manhã de domingo aumentava se houvessem convidados para o almoço. Desde que houvesse um significativo número de convidados, o prato escolhido para confecionar, era quase sempre mesmo: o tradicional, cozido à portuguesa! Nem sempre esta escolha agradava ao palato de todas as idades. Eu, a minha irmã e, os primos, quase sempre reclamávamos por um bife com batatas fritas, sem que a iniciativa tivesse muito sucesso. Havia sempre um adulto que nos informava se não “gostássemos” de comer por exemplo a “carne de porco” podíamos comer a carne de vaca ou mesmo o frango cozido que normalmente nos era colocado no prato carinhosamente pelas nossas mães. O ritual da confeção da refeição na cozinha também era agradável de se observar. As cozinheiras iam colocando os ingredientes nos tachos e panelas, enquanto falavam de assuntos que só às mulheres diziam respeito. Os homens arredados das tarefas domésticas aproveitavam o tempo antes do almoço para conversarem quase sempre de futebol. Gostava de assistir à conversa de uns e de outros, até a dado momento ser interrompida pela minha mãe que me incumbia como filha mais velha da tarefa de pôr a mesa, com a ajuda dos irmãos mais novos que ajudavam no que podiam. À hora marcada, muito perto da uma da tarde, dava-se, então, ao início do almoço de domingo, em família, que se prolongava pela tarde fora...