sábado, 24 de maio de 2014

Tem dias...

 
Os dias custam a passar. Em cima da mesa da sala, as peças de um grande puzzle desfeito, ainda não ganharam forma. Sento-me confortável numa cadeira e chego à conclusão que a dificuldade do meu puzzle está determinada tanto pela imagem como pelo número de peças ao meu dispor. Penso na vida. A música ecoa pela sala, mantendo-me conectada com os meus propósitos. Murmuro para mim que ainda tenho umas quantas contas a ajustar, ao mesmo tempo que encaixo com mestria as peças umas nas outras. A vida assemelha-se a um grande puzzle, quanto maior os interesses e desafios, mais tempo se leva a atingir o objetivo. Não me arrependo das minhas atitudes, porque procuro a sensatez antes de uma tomada de decisão, no entanto, admito que tenho alguns pedidos de desculpa a dar e, outros tantos a receber. Mas, essencialmente, só me preocupam aqueles pedidos que tenho que fazer, assuntos alheios não me dizem respeito. Todos os dias dou passos em frente para que a minha consciência se liberte das insignificâncias da vida. Como habitualmente encontrarei o tempo e o lugar para clarificar pensamentos. Se os minutos não demorassem tanto a passar, possivelmente, hoje seria o dia para arrumar uns quantos assuntos... Mas, não tendo chegado o tempo certo, continuarei, aguardar, com atenção, a sequência e formato das peças do puzzle da vida que se repetem.
 

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Conversando...comigo...

Perguntei junto a um espelho quem eu era e, instantaneamente, do outro lado recebi um sorriso! Nesse dia tive a certeza de tudo aquilo que pensava sobre mim, aceito-me com todos os defeitos que conheço e com aqueles que desconheço e com as todas as qualidades que possuo e todas as outras que virei a descobrir. Neste estado de paz interior gostava que este pensamento fosse contagiante a outras pessoas e que as mesmas pudessem sentir a sensação de paz e felicidade que me invade no momento. Principalmente todas aquelas pessoas que vivem na penumbra interior e em desequilíbrio permanente. Pessoas que considero más influências, porque não tendo rumo, assemelham-se a ervas daninhas que secam a natureza pujante ao seu redor. Às vezes quase me irrito comigo por ser tão previsível no meu modo de agir ou mesmo de pensar. Há momentos da vida em que a mesma nos obriga a fazer balanços. Pergunto-me se por ter esta matriz de pensamento estarei sempre atrair as mesmas coisas boas e também as ruins? Claro que com as coisas boas eu regozijo-me mas das outras queria mesmo era ter a máxima distância...e, às vezes isso não é possível. Se há vinte atrás me dissessem que o avançar da idade transportava mais coisas boas do que negativas pessoalmente teria algumas dúvidas em acreditar. Hoje no presente momento, constato que é mesmo assim, a idade dá-nos além do conhecimento acumulado uma deliciosa serenidade interior! Poderão outras pessoas comigo não concordar e embora respeite a opinião alheia manter-me-ei fiel ao meu pensamento inicial. Aprendi que na vida que se dermos demasiados ouvidos à opinião dos outros acabamos por desvirtuar a nossa maneira de pensar ou de fazermos as coisas. Com isto que acabo de escrever não quero que pensem que me arrogo a uma verdade suprema, nada disso! Considero que ninguém é dono da verdade! Para a mesma questão poderão existir vários ângulos de análise podendo mesmo no final e por caminhos alternativos chegarmos todos ao mesmo resultado. Fazendo uma retrospetiva de vida considero que fiz ótimas escolhas e dificilmente alterava o rumo dos acontecimentos passados se pudesse. Sou o que sou e embora queira todos os dias ser melhor orgulho-me da minha trajetória. O maior tesouro que transporto comigo são as pessoas com as quais me fui cruzando ao longo da vida! Conheço pessoas adoráveis! Quase que apetece pontuar a frase anterior com vários pontos de exclamação... e, acho que o vou fazer porque na realidade este texto fui eu quem o escreveu e as pessoas a quem me refiro são mesmo adoráveis!!!! Sem as ditas pessoas a minha vida seria um vazio - todas elas sem exceção - fazem toda a diferença na minha vida! Qualquer coisa semelhante a um dia de tempestade com chuva e muito vento e com a chegada das pessoas especiais por magia o dia se transformou num dia maravilhoso com muito sol, muita paz, luz e alegria. Há pessoas que são naturalmente assim, irradiam luz à sua passagem iluminando o seu e o caminho dos outros... a essas pessoas eu costumo designá-las por AMIGOS! Obrigada por estarem aí! <3

sábado, 1 de março de 2014

Infinita Saudade


Completamente incrédula! Sim, incrédula é a única expressão que me ocorre para descrever o estado de alma naquele dia! Li uma, duas, três vezes a mensagem na esperança que as lágrimas que se soltavam dos olhos tivessem deturpado as palavras. Mas afinal o que se considerava impossível aconteceu, entristecendo-te, enlutando a tua família, causando dor a todas as pessoas que vos querem bem. Nem sei bem se conseguirei traduzir por palavras a convulsão de emoções que se apoderam então de mim. É em silêncio que recordo o início da nossa amizade. Noutras paragens há quase uma década quando, tu, eu e a Margarida nos tornamos irmãs de coração. A partir do momento que nos conhecemos tudo o que acontece a uma afeta as restantes. Depois de tantas batalhas que vencemos confidencio-te que não estava preparada para receber esta notícia. Possivelmente por acreditar que depois de momentos de grande perda haverá outros que de alguma forma compensarão as provações. Até porque desta vez a tua viagem estava no fim… Amiga queria tanto encontrar palavras de conforto que de alguma forma pudessem aliviar o teu/vosso sofrimento… e, não me ocorre mais dizer que nas portas do Céu, haverá outros anjinhos prontos a receber aqueles que agora chegam… quero acreditar, que entre eles, estará a minha Raquel de mão dada com o irmão Miguel a chamar pela tua Júlia. Sempre depositei esperanças na minha menina do céu, imagino-a muito ciente das responsabilidades de cuidadora. Se assim, não fosse, porque haveria ela de partir? Sabes este pensamento conforta-me desde há muito. Considero os filhos como extensão do nosso amor e, como tal, sinto-me duplamente abençoada. Projeto nos meus dois anjinhos celestes  a imagem dos dois irmãos da Terra, acho que a par das feições as suas essências devem ser semelhantes. Há uns anos eu que até não sou nada hábil com trabalhos manuais decidi recortar numas cartolinas quatro estrelas, duas cor-de-rosa, duas azuis e em cada uma delas colei fotografias dos meus bebés. Como não conheci o rosto de dois deles, decidi colar dois anjinhos desenhados. Depois de unir as quatro estrelinhas,  surpreendeu-me o resultado final! É no mês de dezembro que a Arvore de Natal ganha uma decoração especial! No alto da árvore, no sítio com mais destaque é colocada a minha constelação, uma estrela por cada filho!  Querida amiga se eu pudesse enxugar as tuas lágrimas, eu o faria. Se eu pudesse substituir-te na dor, eu o faria! Estarei sempre contigo!

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Até ao fim do mundo...


Não hesitaria um minuto em seguir os teus passos. Como não poderia de resto faze-lo? Em tantos dias num silêncio que por vezes me pareceu ensurdecedor ansiei por um amor como o nosso. Decerto só poderia dar valor ao presente se no passado tivesse conhecido de perto o sofrimento. E, se assim foi, fico feliz por todas as lágrimas que derramei e por todos os desencontros que tive para chegar até aqui. Pouco me importam os terrenos que desbravei ou, mesmo os obstáculos que encontrei pelo caminho. O que importa é que cheguei onde sempre quis estar e quero guardar para sempre todos os segundos junto de ti. Sinto o coração apertado só de pensar que o nosso amor um dia possa acabar… seguir-te-ia para onde quer que fosses. Mesmo que me digas que não tens para onde ir… digo-te que podemos ir juntos até ao fim do mundo. Os meus dias só fazem sentido se estiveres a meu lado. Não imagino sequer acordar pela manhã e ao abrir os olhos não encontrar o teu rosto. Ficas a saber que às vezes quando o sono teima em chegar Agradeço em silêncio por estares comigo. São tantas as pequenas coisas onde te encontro que nunca mais me senti só. Não quero lamentar pelos anos que deixamos passar, privando os sentimentos, castigando as emoções de viverem um amor como o nosso. Aprendi que tudo tem uma hora para acontecer. A soma dos dias são aprendizagens e tudo acontece quando tem mesmo de acontecer. Quero acreditar que nada perdemos, antes pelo contrário a vida encarregou-se de mostrar o real significado da palavra valor. Pelos dias de ausência, pelos silêncios de outrora quero que os nossos dias sejam todos eles preenchidos com palavras e afectos. Vem, Amor, abraça-me forte… mostra-me o teu calor que eu desejo entregar-me nos teus braços de corpo e com alma.

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Professor Manuel Lima


Dia 8 de fevereiro de 2014 foi um sábado deliciosamente diferente. Sabia-o antecipadamente desde que retirei da minha caixa de correio o convite do professor Manuel Lima alusivo à comemoração dos seus 25 anos como escritor e investigador do riquíssimo património natural do concelho do Seixal. Simultaneamente, ele presenteou todos os participantes com o seu mais recente livro intitulado "A Vida Entre Marés". Foi pequeno o auditório no Moinho de Maré de Corroios para acolher todos aqueles que desejaram expressar gratidão, admiração a este grande professor, investigador e, principalmente ao ser humano que é! É com aquela facilidade de retórica que se conhecessem aos grandes mestres que o professor Lima prendeu a atenção de toda uma plateia rendida aos seus conhecimentos. Seguramente que nunca lho disse pessoalmente mas escrevo-o agora o Professor Manuel Lima é um ser humano extraordinário! Consegue sem esforço aliar a sua inteligência com as características mais nobres de uma pessoa: modéstia, simplicidade e amor. Comoveram-me as palavras da sua filha Sílvia durante o discurso quando a ele se referiu dizendo «o meu pai faz tudo por amor». Outras histórias que a filha Sílvia compartilhou com todos os presentes espelham bem a entrega e a dedicação das muitas horas de trabalho em prol da investigação do património natural e ambiental da Península de Setúbal. O professor Manuel Lima meio a brincar dizia-se surpreendido pela sala onde decorreria a comemoração dos 25 anos estar cheia. Esta manifestação de reconhecimento em nada me surpreendeu, muitos, tal como eu, quiseram desta forma homenageá-lo pelo mérito do seu trabalho. O professor Manuel Lima fez carreira como docente do ensino oficial secundário. Paralelamente em colaboração com a Câmara Municipal do Seixal fez chegar junto do grande público várias publicações sobre o património natural e histórico deste concelho. Não me lembro ao certo como travei contacto com o professor Lima. Creio que tal inicio se fique a dever a uma simples troca de cumprimento matinal ou de outro período do dia. No entanto com certas pessoas é muito fácil estabelecer automaticamente uma relação afetuosa e foi isso que aconteceu. Todos nós em minha casa nutrimos um carinho especial por ele e pela sua família. Já faz alguns uns anos quando convidou a mim e aos meus filhos para conhecermos a sua coleção privada de fósseis e com a mestria de um professor foi-nos explicando a origem e o nome de cada vestígio do passado. Não saímos da sua casa sem que antes ele tivesse presenteado a minha filha adolescente com alguns dos fosseis sobrantes da sua vasta coleção. Os fósseis foram guardados cuidadosamente até hoje numa caixa de madeira de modo a preservar a integridade do achado. Noutra ocasião chamou-me para me oferecer um pequeno Dragoeiro. Depois de este ter passado uma temporada num vaso foi transplantado com sucesso para um canteiro definitivo onde presentemente ostenta um porte maior em altura. Com certeza que haveriam outras pequenas histórias dignas de registo destes seis anos que levo de convívio com este grande homem, contudo, prefiro terminar o texto com o sincero desejo que o professor Lima continue a presentear todos com mais livros os quais considero autênticas ferramentas pedagógicas para quem deseja aprofundar os conhecimentos sobre o vastíssimo património natural que nos rodeia.