Os
dias custam a passar. Em cima da mesa da sala, as peças de um grande puzzle
desfeito, ainda não ganharam forma. Sento-me confortável numa cadeira e chego à
conclusão que a dificuldade do meu puzzle está determinada tanto pela imagem
como pelo número de peças ao meu dispor. Penso na vida. A música ecoa pela
sala, mantendo-me conectada com os meus propósitos. Murmuro para mim que ainda
tenho umas quantas contas a ajustar, ao mesmo tempo que encaixo com mestria as
peças umas nas outras. A vida assemelha-se a um grande puzzle, quanto maior os interesses e desafios, mais tempo se
leva a
atingir o objetivo. Não me arrependo das minhas atitudes, porque procuro a sensatez
antes de uma tomada de decisão, no entanto, admito que tenho alguns pedidos de
desculpa a dar e, outros tantos a receber. Mas, essencialmente, só me preocupam
aqueles pedidos que tenho que fazer, assuntos alheios não me dizem respeito. Todos
os dias dou passos em frente para que a minha consciência se liberte das insignificâncias
da vida. Como habitualmente encontrarei o tempo e o lugar para clarificar
pensamentos. Se os minutos não demorassem tanto a passar, possivelmente, hoje seria
o dia para arrumar uns quantos assuntos... Mas, não tendo chegado o tempo certo,
continuarei, aguardar, com atenção, a sequência e formato das peças do puzzle da
vida que se repetem.
sábado, 24 de maio de 2014
quinta-feira, 1 de maio de 2014
Conversando...comigo...
sábado, 1 de março de 2014
Infinita Saudade
Completamente
incrédula! Sim, incrédula é a única expressão que me ocorre para descrever o
estado de alma naquele dia! Li uma, duas, três vezes a mensagem na esperança
que as lágrimas que se soltavam dos olhos tivessem deturpado as palavras. Mas
afinal o que se considerava impossível aconteceu, entristecendo-te, enlutando a
tua família, causando dor a todas as pessoas que vos querem bem. Nem sei bem se
conseguirei traduzir por palavras a convulsão de emoções que se apoderam
então de mim. É em silêncio que recordo o início da nossa amizade. Noutras
paragens há quase uma década quando, tu, eu e a Margarida nos tornamos irmãs de
coração. A partir do momento que nos conhecemos tudo o que acontece a uma afeta
as restantes. Depois de tantas batalhas que vencemos confidencio-te que não
estava preparada para receber esta notícia. Possivelmente por acreditar que
depois de momentos de grande perda haverá outros que de alguma forma
compensarão as provações. Até porque desta vez a tua viagem estava no fim… Amiga queria tanto encontrar palavras de conforto que de alguma forma
pudessem aliviar o teu/vosso sofrimento… e, não me ocorre mais dizer que nas
portas do Céu, haverá outros anjinhos prontos a receber aqueles que agora
chegam… quero acreditar, que entre eles, estará a minha Raquel de mão dada com
o irmão Miguel a chamar pela tua Júlia. Sempre depositei esperanças na minha
menina do céu, imagino-a muito ciente das responsabilidades de cuidadora. Se
assim, não fosse, porque haveria ela de partir? Sabes este pensamento
conforta-me desde há muito. Considero os filhos como extensão do nosso amor e,
como tal, sinto-me duplamente abençoada. Projeto nos meus dois anjinhos
celestes a imagem dos dois irmãos da
Terra, acho que a par das feições as suas essências devem ser semelhantes. Há
uns anos eu que até não sou nada hábil com trabalhos manuais decidi recortar
numas cartolinas quatro estrelas, duas cor-de-rosa, duas azuis e em cada uma
delas colei fotografias dos meus bebés. Como não conheci o rosto de dois deles,
decidi colar dois anjinhos desenhados. Depois de unir as quatro
estrelinhas, surpreendeu-me o resultado
final! É no mês de dezembro que a Arvore de Natal ganha uma decoração especial!
No alto da árvore, no sítio com mais destaque é colocada a minha constelação,
uma estrela por cada filho! Querida
amiga se eu pudesse enxugar as tuas lágrimas, eu o faria. Se eu pudesse
substituir-te na dor, eu o faria! Estarei sempre contigo!
domingo, 16 de fevereiro de 2014
Até ao fim do mundo...
Não hesitaria um minuto em seguir os teus passos. Como não poderia de resto faze-lo? Em tantos dias num silêncio que por vezes me pareceu ensurdecedor ansiei por um amor como o nosso. Decerto só poderia dar valor ao presente se no passado tivesse conhecido de perto o sofrimento. E, se assim foi, fico feliz por todas as lágrimas que derramei e por todos os desencontros que tive para chegar até aqui. Pouco me importam os terrenos que desbravei ou, mesmo os obstáculos que encontrei pelo caminho. O que importa é que cheguei onde sempre quis estar e quero guardar para sempre todos os segundos junto de ti. Sinto o coração apertado só de pensar que o nosso amor um dia possa acabar… seguir-te-ia para onde quer que fosses. Mesmo que me digas que não tens para onde ir… digo-te que podemos ir juntos até ao fim do mundo. Os meus dias só fazem sentido se estiveres a meu lado. Não imagino sequer acordar pela manhã e ao abrir os olhos não encontrar o teu rosto. Ficas a saber que às vezes quando o sono teima em chegar Agradeço em silêncio por estares comigo. São tantas as pequenas coisas onde te encontro que nunca mais me senti só. Não quero lamentar pelos anos que deixamos passar, privando os sentimentos, castigando as emoções de viverem um amor como o nosso. Aprendi que tudo tem uma hora para acontecer. A soma dos dias são aprendizagens e tudo acontece quando tem mesmo de acontecer. Quero acreditar que nada perdemos, antes pelo contrário a vida encarregou-se de mostrar o real significado da palavra valor. Pelos dias de ausência, pelos silêncios de outrora quero que os nossos dias sejam todos eles preenchidos com palavras e afectos. Vem, Amor, abraça-me forte… mostra-me o teu calor que eu desejo entregar-me nos teus braços de corpo e com alma.
sábado, 8 de fevereiro de 2014
Professor Manuel Lima
Dia
8 de fevereiro de 2014 foi um sábado deliciosamente diferente. Sabia-o
antecipadamente desde que retirei da minha caixa de correio o convite do
professor Manuel Lima alusivo à comemoração dos seus 25 anos como escritor e
investigador do riquíssimo património natural do concelho do Seixal.
Simultaneamente, ele presenteou todos os participantes com o seu mais recente
livro intitulado "A Vida Entre Marés". Foi pequeno o auditório no
Moinho de Maré de Corroios para acolher todos aqueles que desejaram expressar
gratidão, admiração a este grande professor, investigador e, principalmente ao
ser humano que é! É com aquela facilidade de retórica que se conhecessem aos
grandes mestres que o professor Lima prendeu a atenção de toda uma plateia
rendida aos seus conhecimentos. Seguramente que nunca lho disse pessoalmente
mas escrevo-o agora o Professor Manuel Lima é um ser humano extraordinário!
Consegue sem esforço aliar a sua inteligência com as características mais
nobres de uma pessoa: modéstia, simplicidade e amor. Comoveram-me as palavras
da sua filha Sílvia durante o discurso quando a ele se referiu dizendo «o meu pai
faz tudo por amor». Outras histórias que a filha Sílvia compartilhou com todos
os presentes espelham bem a entrega e a dedicação das muitas horas de trabalho
em prol da investigação do património natural e ambiental da Península de
Setúbal. O professor Manuel Lima meio a brincar dizia-se surpreendido pela sala
onde decorreria a comemoração dos 25 anos estar cheia. Esta manifestação de
reconhecimento em nada me surpreendeu, muitos, tal como eu, quiseram desta
forma homenageá-lo pelo mérito do seu trabalho. O professor Manuel Lima fez
carreira como docente do ensino oficial secundário. Paralelamente em
colaboração com a Câmara Municipal do Seixal fez chegar junto do grande público
várias publicações sobre o património natural e histórico deste concelho. Não
me lembro ao certo como travei contacto com o professor Lima. Creio que tal
inicio se fique a dever a uma simples troca de cumprimento matinal ou de outro
período do dia. No entanto com certas pessoas é muito fácil estabelecer
automaticamente uma relação afetuosa e foi isso que aconteceu. Todos nós em
minha casa nutrimos um carinho especial por ele e pela sua família. Já faz
alguns uns anos quando convidou a mim e aos meus filhos para conhecermos a sua
coleção privada de fósseis e com a mestria de um professor foi-nos explicando a
origem e o nome de cada vestígio do passado. Não saímos da sua casa sem que
antes ele tivesse presenteado a minha filha adolescente com alguns dos fosseis
sobrantes da sua vasta coleção. Os fósseis foram guardados cuidadosamente até
hoje numa caixa de madeira de modo a preservar a integridade do achado. Noutra
ocasião chamou-me para me oferecer um pequeno Dragoeiro. Depois de este ter
passado uma temporada num vaso foi transplantado com sucesso para um canteiro
definitivo onde presentemente ostenta um porte maior em altura. Com certeza que haveriam outras pequenas histórias dignas de registo destes seis anos que levo de convívio com este grande homem, contudo, prefiro terminar o texto com o sincero desejo que o professor Lima continue a presentear todos com mais livros os quais considero autênticas ferramentas pedagógicas para quem deseja aprofundar os conhecimentos sobre o vastíssimo património natural que nos rodeia.
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