sábado, 31 de março de 2012

Caminhos

Na vida devemos estar preparados para recomeçar todas as vezes as necessárias! Mesmo quando a vida insiste em nos pregar partidas, devemos aceitar determinados infortúnios, que embora, não sejam desejados, não podem impedir de continuarmos a avançar no caminho escolhido. O segredo passa por reunir as energias e obrigar a nós próprios a avançar em frente, sem ficarmos presos a um determinado passado. Podemos sempre que desejarmos visitar as memórias dos tempos idos, preferencialmente, dos tempos felizes, sem  saudosismos. O futuro somos nós que o construímos nas nossas ações diárias e nos caminhos que delineamos seguir, agora no presente. Nem sempre o sucesso estará garantido mas valerá sempre a pena lutar por determinado objetivo do que ficar à espera que algo aconteça, sem que tenhamos realizado alguma interferência durante esse percurso. Seguramente, que ao longo da vida algumas das nossas opiniões, alguns dos caminhos traçados,  não serão bem aceites por outras pessoas e, nessas ocasiões aconselha-se a ponderação e refleção sobre os prós e os contras antes de uma tomada de decisão. No entanto, Acreditar em nós próprios é primordial, porque algumas das rejeições (porque são  desprovidas de fundamento) devem ser apelidadas de meros contratempos à persecução das nossas metas. Acredito, para a frente é sempre o caminho!

sábado, 17 de março de 2012

Por todos os abraços (que não existiram)

Só consigo entender o acidente de viação ocorrido dia 14/03/2012, na região suíça de Valais e que vitimou 22 crianças e 6 adultos, caso o céu necessite de estrelas para iluminar a noite!
Como calar o grito incrédulo face à terrível tragédia, se por mais alto que ele seja, não consegue no peito silenciar a dor! 
Como enxaguar as lágrimas do rosto se estas teimam em não parar de correr?
O céu devia estar mesmo a precisar de estrelas ….   
Por todos os abraços que estas crianças e adultos não deram às suas famílias no regresso a casa, resta pensar que lá do alto, no céu, se acenderá uma estrela por cada um, para confortar nas noites estreladas os corações de todos aqueles que agora sofrem na Terra com a sua partida…


sábado, 10 de março de 2012

Escolhas


Temos por vezes que enfrentar o receio interior e dar um passo em frente! Não adianta fugir à inevitabilidade dos acontecimentos, as coisas acontecem de determinada maneira, porque assim, têm que acontecer. Na nossa passagem pela vida, somos convidados a fazer escolhas e a assumir posições. Interessa em todas as circunstâncias salvaguardar a Verdade!
Há que saber defender os nossos pontos de vista, com a consciência que outras posições diferentes da nossa foram, igualmente, respeitadas.     Nem sempre dispomos do tempo necessário para analisar convenientemente, todos os ângulos das questões. Somos colocados à prova em diversas situações e aprendemos a superar os circunstancialismos com as ferramentas disponíveis. A experiencia de vida, pode em alguns casos, antecipar cenários futuros e a procura pela Verdade pode resultar num caminho pouco linear para se percorrer. É no entanto, a nossa noção de respeito e lealdade, que irá dar à consciência a paz necessária, para assumir com dignidade o corolário dessas escolhas …

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Voltar às origens

Tenho amiúde a necessidade  de voltar às  origens. Viajo, para uma pequena povoação  ao norte de Portugal, na Beira–Alta. Refugio-me na casa da minha avó paterna, onde moram as melhores recordações de infância. Na velha casa de granito, já não encontro a minha avó, que partiu de nós há muitos anos. Marco, então, encontro com memória da velhinha sentada no alpendre da casa, calçada com pantufinhas de lã que a protegiam do frio. As suas mãos  engelhadas ajeitavam o lindo chapéu de palha de fita azul enquanto, sorria para mim. Cá em baixo, na escadaria exterior da casa, eu ternamente, retribuía-lhe o sorriso, enquanto, enchia no fontanário público os recipientes com a água que havíamos de utilizar durante o dia. Foi deste magnífico local, no concelho de Armamar, que em 1953, partiu o meu pai aos onze anos, para trabalhar em Lisboa, como moço de recados, na praça da Ribeira. O meu pai ficou aos cuidados do meu avô, seu pai, que alguns anos antes, também, havia partido para a capital, com o ensejo de encontrar melhores condições de vida. Esses tempos, foram muito difíceis para a minha avó Ana, que devido à partida do meu avô ficou sozinha e responsável, pelos dois filhos ainda pequenos, dois sobrinhos, filhos de uma irmã mais velha que havia falecido e, tinha, ainda, a cargo a mãe e um irmão. O meu avô paterno, deslumbrado com Lisboa, com o tempo esqueceu-se dos deveres contraídos com a minha avó e enamorou-se por outra moça com quem havia de constituir família. O desgosto amoroso da minha avó Ana foi tão doloroso, que desde a separação do meu avô, nunca mais se apaixonou por ninguém. Enquanto, criança, nunca reflecti muito, sobre o assunto, pois o alcance que eu detinha sobre as inquietudes dos adultos, era limitada à escassa experiência de vida.
A pessoa que o meu avô desposou e, a quem carinhosamente, chamávamos de tia Micas, acolheu o meu pai em sua casa e, inclusivamente, obrigou, o meu avô Francisco, a perfilhar o filho no registo civil. Desses tempos em Portugal, existem, muitos filhos de pai incógnito, o meu pai não fez parte dessa estatística. Não foram tempos nada fáceis para a minha avó Ana... Reza a história familiar que o seu filho mais novo, o meu tio Diamantino, morreu ainda criança e pouco tempo depois, houve um incêndio que lhes destruiu a habitação, possivelmente, devido ao lume da braseira que lhes servia de aquecimento, estar mal acondicionado. Valeram-lhes, as gentes da terra, que mediante tanto infortúnio, prontamente, lhes providenciaram outro tecto. Estou convencida que a minha avó Ana durante a sua vida, jamais conseguiu ultrapassar o sentimento de abandono por parte do meu avô, e tão pouco, a morte prematura do seu filho mais novo. A minha avó Ana aos vinte e poucos anos, tornou-se uma mulher amarga, deixando de expressar publicamente, os seus sentimentos e as emoções. Em 1964, consigo imaginar o seu sofrimento ao ver o meu pai embarcar num navio que o ia transportar para a guerra do Ultramar, sem a mínima garantia que ele voltasse com vida a Portugal… Tenho que referir que a extrema dedicação ao meu pai, em nada facilitou, a sua a relação com a minha mãe. Foi uma sogra demasiado austera, sem que a minha mãe, merecesse tal tratamento… Como avó, foi tudo aquilo o que eu e a minha irmã poderíamos desejar. Passados tantos anos, pelos meus olhos, rolam todas as lágrimas de saudade, com a sua partida…

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Sem dizer adeus


Uma palavra quebrou o silêncio que existia na sala, ela não disse palavra e limitou-se a escutar a voz do outro lado da linha. Haviam passado anos desde a última conversa e sem nunca terem dito adeus, seguiram as suas vidas. Certamente, que em alguns dos dias, quando a nostalgia resolve visitar as almas, desejaram conversar. Na realidade, algumas vezes tentaram marcar encontro, mas por uma razão ou por outra, nunca chegaram a encontrar-se. Deixaram no tempo a possibilidade de algum dia, olhar olhos nos olhos… O destino que um dia os apresentou e  permitiu o encantamento, não arranjou maneira dos caminhos voltarem a cruzar-se. Existem coisas na vida que mais vale deixá-las arrumadas, num lugar, onde nem mesmo o tempo, faz perder o valor inicial. A recordação é semelhante a um tesouro precioso, que foi embrulhado em papel de fina textura por mãos delicadas e, onde a magia permanece imutável. Não creio que agora as palavras trouxessem algo de belo a tão doce memória. Há que manter o equilibro das emoções e tudo está bem como se apresenta. Num impulso, ela desligou o telefone…