sábado, 7 de dezembro de 2013

Partiu um homem bom!


Partiu um homem bom! A derradeira caminhada ocorreu a 5 de Dezembro de 2013, aos 95 anos. A noticia foi dada ao mundo pelo  atual Presidente da África do Sul, Jacob Zuma: "A nossa nação perdeu o seu melhor filho. O nosso povo perdeu o seu pai". Milhões de pessoas juntarão as  vozes e em uníssono dirão que  perdemos o exemplo vivo de dignidade, de tolerância, capacidade de perdoar, liderar e virar o rumo histórico do seu país. Esteve 27 anos em cativeiro, vítima de um hediondo regime de apartheid. A segregação racial vigorou na África do Sul desde 1948 a 1994 legitimada pelos sucessivos governos onde a maioria negra foi descriminada por uma minoria branca. O apartheid trouxe violência e um significativo movimento de resistência interna. Nelson Mandela foi o exemplo da grandeza humana e quando eleito como o 1º Presidente negro da África do Sul empenhou-se na reconciliação nacional. Nelson Mandela amainou os ventos carregados de ódio e cultivou a Paz entre os sul-africanos. Defendeu que brancos e negros eram filhos da mesma nação. A Humanidade tem que volver milénios na sua História para encontrar outro Homem da mesma grandeza, Jesus Cristo. Sim, Nelson Mandela, poder-se-á comparar a Jesus Cristo! Sorte daqueles que lhe foram contemporâneos, congratulando-me por ter vivido neste tempo e expressar com  palavras humildes  a minha enorme admiração pelo seu exemplo de vida. Comovo-me com a sua partida. O Céu espera o Seu regresso. Nos anais da História da Humanidade perdurará o legado de Nelson Mandela. Descansa em Paz Madiba. 1


1 Madiba é o nome do clã Thembu a que Mandela pertence. Foi também o nome de um chefe Thembu no século XIX. Chamar Madiba a Mandela é sinal de carinho e respeito.

Nelson Rolihlahla Mandela foi um advogado, líder rebelde e presidente da África do Sul de 1994 a 1999, considerado como o mais importante líder da África Negra, ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 1993, e Pai da Pátria da moderna nação sul-africana.
 

domingo, 1 de dezembro de 2013

Violência Gratuita

Vivenciei com tristeza os acontecimentos ocorridos esta semana no final das aulas na escola do meu filho. Depois de um dia na escola qualquer criança gosta de ouvir o toque que anuncia o final das aulas. O recreio representa os minutos mágicos. Eu consigo com facilidade ainda recordar aquela ansiedade em criança para que os minutos passassem a correr para  terminar uma qualquer brincadeira deixada a meio dum recreio anterior. Ressalvo que o meu tempo de criança não se assemelha muito ao de hoje excetuando-se, obviamente o facto de termos todos a mesma idade. Só para recordar as diferenças em Portugal em finais dos anos 70 e início dos 80 a televisão tinha início de emissão apenas ao final da tarde; nós as crianças de então brincávamos no espaço público umas com as outras sem muitos dos receios que presentemente existem. Claro que há vezes existiam as “tais” rivalidades que originavam pequenas lutas e que por vezes deixavam marcas físicas, principalmente nos mais fracos fisicamente que eram facilmente dominados pelos mais fortes ou pelo grupo com mais elementos. Devido à edução que recebi em casa e que estruturou para sempre a minha forma de pensar e de agir quase sempre me posicionei como defensora de todos aqueles que eram rejeitados das brincadeiras. Nunca senti um “especial” prazer em excluir um amigo ou colega de turma e muito menos fazer chacota por falta de algum atributo físico ou mental. Lembro-me de entrar em brigas que inicialmente não eram minhas só porque algum dos meus amigos estar envolvido. Houve alturas que suportei algumas “arrochadas” por não medir convenientemente a força dos intervenientes da briga. Após esta breve introdução volto ao tema que me desagradou a semana passada. O meu filho de 8 anos estava no recreio no final das aulas a brincar com os seus colegas de turma onde se incluía o seu melhor amigo. O meu filho e o seu “melhor amigo” conhecem-se do tempo da creche onde ambos ingressaram com 4 anos e instantaneamente desenvolveram uma forte ligação. Quando transitaram da Infantil para a Primária eu própria empenhei-me junto da escola para que os dois não fossem colocados em turmas diferentes. Lembro-me inclusivamente que escrevi uma carta à Direção Escolar onde expus os motivos que considerava importantes para não separar “os dois melhores amigos”.  Até à semana passada nutri um especial carinho por aquele menino de sorriso fácil companheiro das brincadeiras do meu filho. Na passada segunda-feira, 25 de novembro, estavam os dois mais um grupo de colegas a brincar à apanhada, quando um colega de ambos decidiu parar a brincadeira para imaginem colocar dentro da boca do meu filho algumas folhas secas e inclusivamente um saco plástico que estava no chão. O “melhor amigo” do meu filho achou tanta graça à brincadeira que em vez de proteger o amigo quis também encher a boca dele com lixo. Nem consigo imaginar a reação do meu filho, além de tentar afastar os dois colegas deve ter ficado incrédulo com a atitude do seu “melhor amigo”. Não satisfeitos os dois rapazes do lixo desataram ambos a malhar no meu filho. Valeu ao Daniel um outro colega da turma que achando existir desproporcionalidade naquela luta interveio em sua defesa. Logo depois chegou a auxiliar que vigiava o recreio e que repreendeu veemente os dois incitadores da briga e porque é conhecedora dos comportamentos individuais de cada um, castigou-os. Recordo que algumas semanas atrás o meu filho tinha comentado que o seu “melhor amigo” lhe tinha tirado um autocolante que inicialmente lhe tinha oferecido para depois o entregar a outro colega – ele ficou sentido – na altura eu desvalorizei o ocorrido q.b. e disse-lhe que o “amigo” tinha agido mal.  No dia seguinte à briga, o Daniel não queria ir para a escola, queixou-se com dores de barriga. Eu compreendi que esta era a forma dele reagir ao episódio do dia anterior, mas incentivei-o a enfrentar o problema. Ora, nessa terça-feira, o “melhor amigo” do meu filho, não satisfeito com o desfecho do dia anterior decidiu fazer campanha entre os colegas de turma para não brincarem com ele! Chegou a fazer chantagem dizendo quem brincasse com o Daniel não brincaria com ele. Uma vez mais o “melhor amigo do meu filho”  não foi bem-sucedido na pretensão de exclusão do Daniel das brincadeiras, houve um  colega de ambos por considerar o pedido sem sentido, afastou-se dele! Esta reação dos colegas deve ainda ter irritado mais o “melhor amigo do meu filho” que decidiu voltar à carga e decidiu num dos recreios agredir gratuitamente o Daniel. Acredito que o meu filho fez o que pode para se defender mas de certeza que não estava a contar com esta atitude do “ seu melhor amigo”! Mais do que as nódoas negras que resultaram da agressão, notei o desgosto dele por sentir que amizade de ambos foi gravemente comprometida. A Escola desempenhou o seu papel. A professora na quarta-feira de manhã expôs à turma a bizarra situação e aplicou uma medida corretiva aos dois agressores do meu filho impedindo-os de frequentarem o recreio. Não os deixou na sala de aulas – isso, implicaria ter uma auxiliar por conta deles – ambos passaram os recreios toda a semana sentados num banco a verem os colegas a brincar. Sei que também chamou à escola o encarregado de educação do ex-melhor amigo do meu filho. Alguns que leem esta história podem ser tentados a pensar que se tratou se uma simples “brincadeira” de crianças. Eu como mãe não concordo. Devemos estar atentos a todos os sinais. Além das mazelas físicas que resultaram da briga esteve em causa, uma tentativa de exclusão entre colegas – diga-se como sempre despropositadíssima…  Este sábado o meu filho esteve na festa de aniversário de  um colega de turma, os dois agressores não foram convidados. Ao mesmo tempo que eu dava os parabéns ao aniversariante aproveitei para lhe agradecer pela defesa do meu filho, foi ele que terminou a luta igualando as forças – no lugar dele eu teria feito a mesmíssima coisa! Desejo profundamente que a situação fique por aqui!

sábado, 23 de novembro de 2013

ZIG


Retive a palavra Zig através de um filme. O Zig exemplifica o preciso momento em que a contagem do tempo deixa de existir para duas pessoas. Através de um simples olhar duas almas ficam a saber que a partir daquele instante ficarão ligadas para todo o sempre. Dizem que o Zig só acontece uma vez na vida como expoente máximo do amor. Todos anseiam por esse instante e, no entanto, apenas alguns parecem alcançar. Entendi da mensagem que o Zig é uma espécie de meta sem prazo para concretizar. Felizes aqueles que alcançam o ZIG – pensei.  Procurei investigar no meu interior se algum dia teria encontrado a outra metade de mim? A tentativa de fazer por si só deu-me a resposta. Ou melhor, abriu-me pistas para mais interrogações. Claro que já vivi um grande amor. Quem nunca viveu um grande amor não pode por falta de conhecimento saber o que significa o silêncio de um olhar e, tão pouco interpretar o desgosto da desilusão. Só quem amou sabe o que significa um arrepio na pele por pensar em alguém que nos é especial. Noites sem dormir, sonhos por viver e as saudades de quem partiu podem fazer chorar um coração. Não sei se há idades ou melhor etapas do crescimento humano que favoreçam o sentimento do amor. Entendo que todas as idades são ideais para amar. Houve alguém que um dia perguntou «E, o que fazer à carapaça que vamos construindo para nos proteger das desilusões amorosas?» - respondi: «creio que quando o amor verdadeiro chegar, não haverá avisos e, seremos atingidos pela tal seta do cupido e não existirá nada que nos possa proteger.» Pessoalmente gosto de acreditar nos amores eternos. Daquele tipo de amor que vence os todos os obstáculos para se encontrar. Penso em duas estrelas que explodem e se fragmentam cuja luz emanada é uma espécie de farol para informar o local onde se encontram. Quanto maior a luminosidade maior o desejo de acreditarem que «um dia» se possam de novo unificar.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Não importa onde nascem as amendoeiras (desde que floresçam!)

«Acreditas em vidas passadas?» Ele esboçou um ligeiro sorriso no rosto ao mesmo tempo que o abanar de cabeça pretendeu responder à questão negativamente. Que pena! – Pensou ela –, tivesse ele respondido de outro modo ou quisesse explorar o lado místico daquela relação, o tema só por si, ocuparia muito daquela conversa. Se bem que ela não acreditou muito no teor da resposta. Algumas pessoas mesmo quando afirmam não acreditar naquilo que não conseguem observar ou experimentar têm sempre um lado místico associado às suas vidas. O misticismo é a procura do ser humano pela comunhão entre o espirito e a realidade; ou seja, algo que em alguns momentos permite explicar determinados acontecimentos ou mesmo ligações a determinadas pessoas em detrimento de outras. Quando um ser humano se liberta das regras impostas consegue viajar até aos confins da mente, para a época mais embrionária da consciência, onde a fronteira entre o real e o sonho se cruza. Aquela amizade era disso prova, verdadeira e especial, resistente à erosão do tempo e das circunstâncias. Ao longo dos anos tinham preservado no interior de cada um uma espécie de cantinho isolado, onde o sentir flui para além das palavras e onde o silêncio encerra em si mesmo múltiplos significados. Ela acreditava que duas almas quando se entrelaçam, encontrar-se-ão muitas vezes em tempos e lugares diferentes das suas realidades. Ambos sentiriam em tantos dias aquilo que outros já protagonizaram em histórias imemoriais. Lembro-me de uma história, daquelas que se contam às crianças e que se reveste de amor e de esperança. Reza a lenda que uma linda princesa nórdica que vivia nas terras quentes de Portugal, não conseguia sorrir nem ser feliz porque as saudades do manto branco que cobria os campos da sua terra no inverno eram imensas. Até que o rei mouro, temendo perder a sua amada teve a brilhante ideia de mandar plantar por todo o Algarve grandes extensões de amendoeiras que, no início de cada Primavera davam à princesa a ilusão da neve e, assim, ela ficou curada da sua nostalgia. O rei mouro e a princesa viveram um intenso amor e, ano após ano, a Primavera renovava o maravilhoso espetáculo das amendoeiras em flor. Não importa onde nascem as amendoeiras, quando duas almas se encontram, “jamais se sentirão sozinhas, porquanto entenderem, por si só, a infinita necessidade, que têm uma da outra para toda a eternidade”.1

sábado, 2 de novembro de 2013

Com os olhos nas águas do Tejo


No tempo que seguiu ao teu derradeiro adeus senti a ansiedade a apoderar-se  do meu estado  de  espírito. Durante largo tempo não fui bem-sucedida nas tentativas  que  realizei  para esboçar um simples sorriso, a tristeza fez questão de me acompanhar em demasiados dias. Assumi com a tua partida que uma parte de mim sucumbira para todo o sempre. Nesse tempo sombrio não encontrei motivos para que o coração continuasse a bater, a minha alma vazia não desejava sequer continuar a viver. Sobrevivi porque as funções vitais desempenharam convenientemente o seu papel. O luto, esse, não passa nunca. Com o passar dos anos a dor foi apenas diminuindo de intensidade tornando o luto numa espécie de convívio diário. Há dias num final de tarde quando regressava a casa, viajava absorta em muitos pensamentos com o olhar perdido nas águas do rio Tejo, quando um agradável cheiro a perfume se intrometeu entre mim e a paisagem. Senti um arrepio a percorrer o meu corpo. Aquele cheiro a perfume levou-me de novo até ti. Todos os significados da nossa história continuam bem presentes - aquele perfume foi-me há muitos anos oferecido por ti e, tornou-se uma parte de nós - tu e eu recordaríamos aquele aroma como nosso. Do nosso passado não recordo as palavras ditas, nem tão pouco os silêncios do  olhar, mas na memória  ficaram registadas as emoções sentidas. Aquele aroma de um perfume doce guiou-me no tempo, a uma outra tarde décadas atrás, onde tu estavas em casa doente e eu só desejava chegar depressa para ficar ao teu lado. Lembro-me  que desse tempo longínquo, os nossos sentimentos de amor pareciam perfeitos, mas tudo tem um fim… Lamentei de novo a ausência num espaço que te pertence e, com saudade afastei as lágrimas do meu coração. Com os olhos postos nas águas do Tejo a luz alaranjada do sol levou-me de novo ao presente. Aprendi que na vida às vezes perdemos mas que o amanhã será sempre um novo dia.